sábado, 28 de maio de 2016

Eu sou homem, eu não sei e nunca vou saber o que é ser mulher

Eu sou homem, eu não sei e nunca vou saber o que é ser mulher

Ronaldo Magella (jornalista)

Não sei o que é ser mulher, uma mulher, viver mulher, são sei o destino de ser mulher e ter que viver como uma mulher.

Sou homem, nunca vou saber o que é ser olhada da cabeça aos pés de forma vulgar, nunca vou ser chamado na rua de gostosa e nem vou tremer de medo ao ter que passar por outros homens juntos e imaginar mil coisas na minha cabeça.

Jamais irei saber o que é ter medo de passar numa rua sozinha, nunca vou saber o que é receber uma cantada vulgar de um cara idiota que apenas deseja o meu corpo, nem nunca vou entender o que é ser violentada de forma estúpida e irracional.

Não sou mulher, sou homem, eu não sei e nunca vou saber que é passar na rua e ouvir absurdos machistas e grosseiros, nunca vou saber como é me sentir usada, maltratada psicologicamente e fisicamente, tudo o que eu disser sobre uma mulher, pensar, jamais chegará perto do que elas realmente sentem, vivem todos os dias, todas as horas, eu não sei o que é mulher, eu sou homem.

Não sou mulher, não sei o que é não poder vestir o que quero e gosto por conta dos olhares que vou atrair e do medo que isso irá me provocar, não, nunca vou saber o que é ter medo de não poder fazer o que desejo com medo do que vão pensar e falar de mim, nunca vou ouvir ser chamado de puta, escrota e rapariga só por que não quis atender um desejo imbecil de um cara qualquer que achou que qualquer cantada barata iria me levar pra cama.

Não sou mulher, nunca vou saber como é se sentir sozinha no meio de tanta gente e nunca vou saber o que é desde de pequena ser ensinada a se comportar como o uma mulher deve ser enquanto os homens são livres para exercerem suas animalidades de forma de quem bem entenderem.

Sou homem, nunca vou saber o que é ser estuprada, a dor que isso causa, a mágoa, a ferida, as marcas que deixa, a cicatriz que nunca irá curar, a alma clamando de dor, a vergonha, o medo, a solidão,  a angústia que ficará constantemente sempre que sair de casa, sempre que conhecer alguém novo, diferente, sempre que tiver que eu ser uma mulher.

Não sou uma mulher, sou homem, jamais irei ouvir que lugar de mulher é na cozinha, que mulher tem que ficar em casa, que mulher não sabe dirigir, que mulheres são todas falsas, que tenho sexo frágil, que na rua tenho que ser uma dama e na cama uma puta, que preciso sempre agradar ao meu homem, que não posso ter atitude, nem ter prazer apenas gostar. Não, sou homem. 


Tudo o que eu disser de uma mulher, pensar, jamais chegará perto do que elas realmente vivem e sentem, jamais irá encostar perto do que elas têm que passar todos os dias. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Perdoe-se, você não tem culpa, ninguém tem

Perdoe-se, você não tem culpa, ninguém tem

Ronaldo Magella

Sei até que é fácil dizer, quando difícil mesmo é viver, mas, talvez, como tenha dito o poeta Ferreira Gullar, ninguém tem culpa, a gente não tem culpa, não há culpados, precisamos mesmo é nos perdoar e viver a nossa vida, nos perdoar porque nem sempre as coisas irão acontecer como gostaríamos, a vida não será perfeita, nós não seremos perfeitos, ninguém é perfeito, ou, como me disseram, “a verdadeira perfeição tem que ser imperfeita”, pois o que é perfeito para mim nem sempre o será para todos, para o outro, para outrem.

A viver não tem uma lógica matemática, uma fórmula, onde jogamos regras fixas e seguras e esperamos pelo final, a vida é dinâmica, não está parada esperando a sua decisão, a minha, não há um jogador esperando você pensar, escolher e jogar, as peças estão em movimento, o jogo continua mesmo você parado, sempre haverá um final, um perdedor, um ganhador, e quando vencemos, é perfeita a vida, quando perdemos, ela se torna imperfeita, e nunca é uma coisa ou outra, será apenas vida.

E a gente precisa se perdoar, deixar de carregar a culpa do mundo em nossas costas, a imperfeição faz parte do nosso caminho, está em nosso destino, viver é errar, sofrer, claro, também sorrir, amar, sentir, mas o fracasso, a dor, a lágrima está no orçamento da vida, irá pesar em nossa conta final, cedo ou tarde receberemos a fatura com tudo que fizemos de bom e de ruim.

Viver é entender que o nosso amor não será perfeito, o melhor, a nossa felicidade não será a maior, a mais completa, o nosso sorriso não será sempre largo e alvo, nossas pisadas nem sempre poderão ser firmes e seguras, retas, a nossa inteligência não poderá sempre sagaz, sutil, o nosso humor o mais engraçado, a vida é assim, jamais será perfeita, pois o imperfeito faz parte, está incluso no pacote.

Vida, vida, vida, quando penso na vida me ocorre o que disse Ferreira Gullar, viver não tem um sentido, nós criamos um, inventamos, somos como folhas em branco antes de o poeta deitar suas palavras e suas emoções, inúmeras possibilidades, tudo é possível, quando a primeira palavra acontece no infinito da existência elas se reduzem, as opções, surgem as limitações, quando começamos a viver, escolhemos nossos caminhos, fazemos nossas preferência, criamos nossos gostos, limitamos a nós mesmos e a nossa vida, a existência, criamos nossas prisões.


A gente não tem culpa, mas é responsável, o que talvez seja a mesma coisa, mas talvez também não seja. Já não sei mais. Sim, você tem razão, me sinto culpado por viver e até pensei em retornar a terapia para me livrar a culpa. Tem dias que penso que ela foi embora e dias em que posso que ela sempre irá me acompanhar, para sempre. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Desistir pelo ontem é não acreditar no amanhã

Desistir pelo ontem é não acreditar no amanhã

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.

Desistir pelo passado é não querer enxergar que o futuro, que o amanhã pode ser melhor.

Desistir pelo que aconteceu é pensar que nada pode ser melhor, é não querer viver o que vem depois.

É pensar que tudo que já foi é tudo que podia ter sido vivido, é travar-se, é não querer aceitar que o logo mais será diferente, que poderá mudar, que podem acontecer outras coisas.

Desistir é olhar para trás e ali se deixar prender, é como andar pra frente olhando pelo retrovisor, você sabe de onde vem, mas não sabe pra onde está indo.

Não é o que fui e vivi que irá me dizer o que posso ser e viverei, as lágrimas que derramei não poderão determinar o que posso ainda ser.

O ontem não pode proibir e bloquear meus sorrisos, o que calei não poderá dizer aquilo que ainda tenho por falar, as canções, os discos e filmes que vi não podem prevê o que ainda vou ouvir, cantar e ver.

A vida segue pelo que não aconteceu e não pelo que já passou, não posso me medir pelo ontem, mas pelo que ainda tenho e me resta para o amanhã.

Não é pelo fato de não conseguir ter sido feliz ontem que devo me privar do melhor que posso ter para daqui a pouco.

Não é por não ter conseguido ontem que não possa tentar amanhã, ontem foi ontem, amanhã ainda não aconteceu, se sei o que fiz, agora só me interessa o que posso fazer.
Não posso privar a minha esperança por conta da minha dor, não posso me negar uma chance só pelo fato que as oportunidades de ontem não terem dado certo, viver é acreditar que a hora seguinte será e poderá ser melhor, que se ontem não fui feliz, agora, hoje, posso acreditar e amanhã poderei realizar o que quero, penso, sonho, pois acredito.

Por isso esqueço o ontem, me renovo para o amanhã, aprendo com o que fiz no presente, no agora, mas espero ansiosamente pelo que ainda posso fazer, tentar, ser, viver.


A vida é bela pelas oportunidades que ainda podemos ter, pelos sonhos que podemos realizar, pelas alegrias que ainda podemos ter, por isso, sei do ontem, mas me consumo pelo amanhã. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O desejo nasce da imaginação

O desejo nasce da imaginação
Ronaldo Magella 16/05/2016

Aquilo que vejo está pronto e acabado.
Minha imaginação precisa de esforço, trabalho, precisa imaginar.
O desejo nasce daquilo que não vejo, sei, conheço.
Desejo mais o que posso imaginar, o que posso construir, fazer.
Criar.
O que está feito não me atiça a curiosidade.
O que está pronto não me empolga a criatividade
 Não me instiga a necessidade daquilo que não requer minha participação mais.
Meu olhar é movido pela descoberta.
Imaginar é ir além daquilo que estou a ver.
O desejo nasce daquilo que desconheço.
Quando vejo, vejo com desejo e só desejo se posso ver e ir além daquilo que vejo.
O que me move é o desejo.
Não desejo o que já tenho.
Desejo aquilo que não tenho, não é meu, não me pertecem.
Desejo o que está em movimento, o que passa na minha frente.
Desejo o que todo mundo tem, possui.
Desejo o que se esconde, está coberto, o que não existe.
Desejo olhar pela fresta, pelo buraco, pelo cantinho.
A vontade é maior pelo proibido, pelo não permitido.
Dá mais desejo e sabor e emoção aquilo que não pode.
Tédio é fazer o que se pode, emoção é sair do comum, arriscar.
O normal não atraí o meu olhar.

O diferente me fascina, me encanta, me apaixona.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tem coisa que é melhor quando termina

Tem coisa que é melhor quando termina

Ronaldo Magella 13/05/2016

Nem todo fim fiz é triste.
Algumas coisas terminam e com o tempo vem aquela sensação de que foi melhor assim.
Era o melhor, melhor não continuar. 
Nem tudo que acaba dói.
Nem tudo que chega ao fim nos faz sofrer.
O fim pode ser o início, mas de outra vida.
Tem dor que é um alívio, traz alívio.
Tem fim que nos deixa mais leve, tranquilo melhor
Tem paixão que nos machuca
Tem amor que dói e exige muito de nós.
Tem sentimento que pesa e atrapalha
Tem gente que é difícil
Mas a gente carrega, empurra, insiste
Tem relação que quando chega ao fim nos liberta
Tem gente que nos prende, sufoca, maltrata
Mas que quando a gente termina, solta
Se sente livre e liberto das próprias escolhas

                                   Sozinho, mas agora aliviado.            

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Sobre meninos e homens

Sobre meninos e homens

Ronaldo Magella 11/05/2016

Homens e meninos são iguais, querem a mesma coisa.
A diferença é a forma, o jeito, a conquista.
Homens sabem ouvir, meninos querem falar.
Meninos provocam, homens despertam.
Homens são pacientes, meninos apressados.
Meninos são atrapalhados, homens são centrados.
Homens encantam, meninos enchem.
Meninos são inquietos, homens esperam.
A diferença é a forma, homens e meninos querem a mesma coisa.
Homens são mais prudentes, meninos são impacientes.
Meninos são avoados, homens envolventes.
Homens são mansos, meninos agressivos.
Há muito homem imaturo e muito menino maduro.
Há homens rasos, meninos profundos.
Os meninos carecem de experiências, conteúdo
Mas tem muito homem que não cresce.
Meninos são carentes, homens seguros
Homens são confiantes, meninos inseguros.
Meninos prendem, homens atraem.
Homens guardam segredos, meninos gostam de falar
Meninos contam vantagens, homens preferem silenciar.

Homens e meninos são iguais, querem a mesma coisa

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A verdade sobre os homens

A verdade sobre os homens

Ronaldo Magella 09/05/20016

Homens são inseguros.
Homens são dramáticos.
Homens são machistas.
Homens são banais.
Homens demoram pra amadurecer.
Homens são rotineiros.
Homens são carentes.
Homens são apressados
Homens podem ser úteis.
Homens são manipuláveis pelas mulheres.
Homens são fracos.
Homens são calados, perto de mulheres.
Homens não contam segredos.
Homens contam vantagens.
Homens não sabem conviver com a solidão.
Homens não suporta rejeição.
Homens, todos, são fáceis.
Homens, poucos, são sensíveis.
Homens só pensam em sexo.
Homens não são românticos.
Homens são fáceis de enganar pelas mulheres.
Homens são bobos.
Homens são tolos.
Homens são ridículos.
Homens são iguais.
Homens são previsíveis.

Homens são meninos grandes.
Homens mentem. 
Homens são idiotas.
Homens são baratos.
Homens pensam por baixo.
Homens também sofrem.
Homens choram.