segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Entenda os sinais

Os homens confundem interesse com simpatia

Ronaldo Magella 18/09/2017

Mulher simpática nem sempre estará interessada em você, os homens precisam aprender isso, um sorriso não quer dizer um sim, um abraço não é um pedido pra ficar, uma conversa não é um convite pra ir pra cama.

Mas os homens insistem em não entender isso. Imaturidade? Machismo? Hum, talvez, o fato é que, todo homem é fácil. E se é fácil, não perderá a oportunidade.

Outra, homens não suportam rejeição, receber um não, agora sim, isso é machismo, eles não aceitam a liberdade de uma mulher poder escolher não querer, dizer não.

Uma amiga me contou, conheceu um cara, inteligente, simpático, bonito, mas ela não tinha o menor interesse, conversaram horas, dias, mas ela nunca demonstrou nada, estava em outra esfera, momento, não estava aberta, mas o carinha, me disse ela, tentou de todas as forma conquistá-la, sem nunca ter recebido aval pra isso, ou algum tipo de demonstração.

E claro, eles cansam. Foram mensagens, puxamento de conversa, bom dia, oi, tudo bem? E nada, até um dia ele desaparecer. 

Isso, eles desaparecem do nada, somem, fogem, perdem a vontade, o encanto ou simplesmente desistem.

Tinha um amigo que achava que toda mulher que olhava pra ele, ele dizia, estava paquerando com ele, claro, nunca o vi com  nenhuma, mas ele insistia nisso, que elas, olham só, tinham interesse nele, repito, ele nunca ficou com nenhuma.

Até sei que um bloco chamado “Simpatia é quase amor”, mas nesse caso nem sempre, é preciso entender os sinais, sinais que nem sempre são sinais nem mensagens.


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Nosso próprio tempo

O nosso tempo de cada um

Ronaldo Magella (jornalista) 18/08/2017

Um amigo demorou dez anos pra decidir casar e morar junto, outro só precisou de uma festa, um final de semana, uma conversa, e, no mês seguinte já estava sob o mesmo teto, em vida de casal.

Conheço gente que namorou a vida toda, casou e com uma semana pediu divórcio, não suportou conviver, está no mesmo lugar, dormir e acordar junto.

Qual o segredo? Nenhum, cada um tem seu tempo, cada um nós sabe de si, uns se apegam mais rápidos, outros demoram mais, uns resistem, outros desistem, não somos iguais, não poderíamos ser, não faz sentido, só não podemos esperar que todo mundo tenha a mesma reação.

Outro dia uma amiga, aquariana, super racional, me disse, sou romântica, e  ao questionar, ela me disse, meu romantismo é entre quatro paredes, não escrevo textão em redes sociais, sou mais intimista, preparo o café, o jantar, roço a perna, compro uma lembrança, me entrego a quem está comigo, simples e prático, ela me disse.

Cada um com seu tempo, no seu ritmo. Com o tempo me tornei mais lento, meio ariano, há até quem diga que não me importo, gosto, seja indiferente, perdi meu romantismo, não é bem assim gente, mas a verdade é que ando com o freio de mão puxado, na banguela, não sou mais um romântico sonhador desaviado da próxima curva, sei que uma curva pode ser falta.

Algum tempo atrás conheci uma menina, me encantei, conversa boa, boa companhia, parecia que iríamos seguir, até que um dia ela me disse que comigo, olha que ironia, acabou por descobrir que ainda gostava do ex, ficou confusa, mas criou um bloqueio pra mim, ela pediu um tempo pra pensar, decidir não continuar, sei como essas coisas são, mas era o tempo dela, ainda não estava livre, curada, completa para outra.


Somos assim, às vezes nos entregamos por inteiros, de cara, outras vezes precisamos de tempo, segurança, certeza, de tato, paciência, de outras demoramos uma vida pra entender que não é o que gostaríamos ou que não tinha mesmo que ser. 

sábado, 12 de agosto de 2017

Sorte e azar no amor

Será que existe azar no amor ou sofremos por nossas escolhas?

Ronaldo Magella 12/08/2017

Outro dia ouvi uma amiga reclamar, não tenho sorte no amor, só faço escolhas erradas, só encontro idiotas, gente sem perspectiva, desisto, isso não é mais pra mim.

Minha amiga não atentou para a própria fala, como ela mesma disse, “escolhas”, foram as escolhas delas, as suas decisões.

Quando a gente escolha alguém baseado em beleza, sexo, dinheiro, ou algum outro interesse, é provável que com o tempo isso se torne tedioso.

Ninguém será bonito a vida inteira, dinheiro não pode nos satisfazer sempre e quando ele acaba, acaba o seu real poder, e sexo às vezes é bom, outras vezes não, com o tempo se torna comum e chato.

Não existe sorte ou azar, existem pessoas que podem gostar de nós ou não, mas também é preciso dizer, o gostar nem sempre é eterno.

Existem pessoas interessantes, inteligentes, atenciosas, cuidadosas, prestativas, talvez isso possa os cativar, depende muito do nosso olho.

Hoje, penso, arrisco dizer, a nossa grande questão, e dificuldade, é encontrar alguém com quem a gente tenha prazer em conversar, dividir coisas, momentos, uma história, o resto se afina, se encaixa.

 O bom mesmo é sentir prazer na presença do outro, gostar de estar perto e sentir certa admiração por ela ou ele, quando a conversa é boa, o riso nasce, a alegria permanece, a companhia é agradável e se faz necessária, gostosa e leve.

Minha amiga, me parece, realiza suas escolhas por outros critérios, os quais não sei, mas supeito, e por isso acaba sempre quebrando cara, se ela me pedisse um conselho, lhe diria para mudar os seus padrões de escolha, sim, todos nós temos uma padrão, nos repetimos, como se andássemos em círculos.


Mas variar pode nos surpreender, mudar pode nos fazer sentir novas e outras emoções, sair da nossa zona de conforto pode nos trazer uma nova forma de viver e existir, mas é preciso tentar e ter coragem de mudar. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Ixe

A solidão depois do prazer: gente sem conteúdo

Ronaldo Magella (jornalista, professor, escritor)  07/08/2017

Minha solidão é essa: gente sem conteúdo.

Foi o desabafo de uma amiga nesta segunda-feira. Gente pra transar, ficar, beber, sair, a gente encontra, o problema é o conteúdo, não dá pra viver, conviver, namorar, se apaixonar por alguém que não sabe mais do que meia dúzia de palavras, ela disse.

O problema, ela continua, é depois do prazer, o vazio que fica, a falta de diálogo, a risada gostosa, a brincadeira inocente, o afeto simples, o prazer de estar ali e poder sentir que é bom estar ali com aquela pessoa que acabou de viver a sua intimidade e se deixou também ser vivido.

Minha amiga sente o que há de mais comum no mundo moderno, a solidão acompanhada, estamos todos a todo mundo “acompanhados”, conectados, mas é raro sentir empatia, afinidade, cumplicidade.

Como diz o escritor Fabrício Carpinejar, de corpo estamos cheios, mas sofremos da ausência e da falta da cabeça e do coração das pessoas. Podemos até encontrar prazer e um pouco de alegria no corpo de alguém, sentir prazer, gozo, mas só nos sentiremos completos e plenos ao nos encontramos com o pensamento e o sentimento do outro, isso que chamamos de “a gente tem tudo a ver”.

Sei o que minha amiga sente, tédio.

 Há um momento em nossas vidas que a gente está cheio das pessoas, acha todo mundo chato, sem graça, todo mundo comum demais, igual demais, com as mesmas conversas, tudo mundo sem cor.

Procuramos alguém que nos arrebate e nos encante, e nada, sofremos, refletimos, mergulhamos no banzo, decidimos viver a solidão, ficar a sós.


A boa notícia é que, isso passa, a má notícia é que, sim, é raro, cada vez mais raro encontrar pessoas interessantes e encantadoras, gente que nos faça rir, gente que nos tire da nossa zona de conforto, que nos faça sentir admiração por ela e vontade, nos faça o coração bater mais forte, rápido, nos faça ter medo, nos faça querer viver. 

sábado, 5 de agosto de 2017

Dói

Precisamos de palavras, pois o silêncio é sempre dúvida, incerto, inseguro

Ronaldo Magella 05/08/2017 (jornalista, escritor, professor)

Quando falamos de afeto nada mais angustiante do que o silêncio do outro, nos relacionamentos o silêncio dói tanto quanto as palavras, estas podem nos marcar, mas aquele nos atormenta.

Não é para tanto que o nosso afeto crescer na palavra, é  o diálogo que nos confirma o sentimento, amadurece o gostar, intensifica a vontade, aumenta o desejo, é através do que é dito que a gente confirma a certeza do nosso querer, mas quando há silêncio, pairamos sobre dúvidas, dormimos sem a certeza de um novo amanhã, o silêncio é sempre um ontem, uma busca, a procura, o que não temos. 

Aprendi a respeitar o silêncio do outro, pra mim ele é sempre bem claro, deixa um recado no ar, quer dizer algo, não o que gostaríamos, mas é preciso entender, aceitar e seguir.

Não digo que o silêncio é bem vindo, nunca é, a gente precisa ouvir o outro, precisa ouvir do outro, como se nos alimentássemos da palavra do outro, para o bem ou para o mal.

Que ele diga que não nos ama, que nos quer ou não, que está ocupado, cansado, que diga qualquer coisa, mas que não se cale, não silencie, não nos deixe na dúvida, sempre cruel e má.

Sempre precisamos seguir em frente com uma palavra pra carregar, seja de conforto, seja de dor, é preferível carregar o peso da fala do outro do que viver prisioneiro do seu silêncio, e silêncio é sempre dúvida, incerteza, insegurança, vazio.

Nas palavras a gente pisa, como alguém que reler mil vezes o mesmo bilhete de amor, no silêncio a gente escorrega e nunca sabe pra qual lado cair, pra qual caminho seguir, palavras são fortes, nos suporta, o silêncio do outro é sempre frágil, não há como se segurar, nos que se agarrar.



domingo, 30 de julho de 2017

Elas

Mulher fica com quem quer, homem com quem pode

Ronaldo Magella (jornalista, escritor)  30/07/2017

Acho engraçado quando um amigo me diz, cara, ontem “peguei uma gata”, ele, inocente, acha que tem algum poder, ou que é ele quem decide algo, principalmente quem “pegar”, com quem ficar.

Outro diz ouvi de uma mulher uma das frases mais importantes da minha vida, ela me disse, Ronaldo, mulher fica com quem quer, vocês, homens, com quem podem.

E com quem podemos? Perguntei, ela respondeu, com quem a gente deixar, quiser. É simples. Riu na minha cara.

Ela queria me dizer que, a palavra final, o sim, o desfecho é sempre da mulher, é e será sempre ela quem irá definir os nossos destinos, os rumos da nossa vida.

Isso me fez lembra uma frase que li num livro, a qual dizia, homem sempre é fácil, todo homem é galinha, não sabe dizer não. Mulher não é fácil nem difícil, depende do homem e da ocasião, mas no final o poder de decisão será sempre dela.

Quando penso nisso, penso que a vontade será sempre da mulher, é dela o poder sobre a vida de nós pobres mortais homens. São elas que dizem quando, onde e como, por mais apaixonada por um homem, a palavra final será sempre dela, ela quem irá decidir se entregar ou não, dar ou não, ficar ou não.

Não danço, se ela não quiser, não beijo, se ela não deixar, não namoro, se ela não aceitar, parece isso algo muito simples, por mais que se diga que o universo, o mundo, a terra, o sistema seja machista, não acredito nisso totalmente.

Penso que nós, homens, somos sutilmente submetidos ao julgo feminino e não percebemos isso, não nos damos conta que muitas das nossas decisões, das coisas que fazemos, da vida que vivemos, sempre há uma influência feminina a nossa vida é fortemente influenciada pelo desejo e pela vontade das mulheres.



segunda-feira, 10 de julho de 2017

Nossa era

A idiotização nossa de todos os dias

Ronaldo Magella (jornalista) 10/07/2017

Hoje o Facebook me lembrou que estou fazendo três anos de amizade com alguém que nunca falei na vida, e claro, a minha primeira reação era compartilhar a informação, com dizeres carinhosos e afetivos, do tipo, “gente que a gente respeita”, ou, “parceria forte”, e, “tamo junto migo”, mas foi só uma reação, não concretizei a ideia, me senti um pouco e meio idiota, tenho essas coisas.

Depois me apareceu um aplicativo, desses de testes, que iria me relevar com qual ator, estrela, pessoa, cantor famoso me pareço, novamente me bateu um ímpeto de curiosidade, nossa, será que me pareço mesmo com alguém famoso? Seria até legal, né? Mas logo desisti da ideia de querer saber, enfim, deixa pra lá, de que me serve mesmo isso, né?

Sempre bate aquela vontade de fazer testes, usar aplicativos que mudam a foto, besteirinhas do nosso cotidiano via redes sociais que vão deixando a nossa vida mais, digamos, entretida, ocupada, divertida e inútil, mas que todo mundo usa uma vez ou outra na vida, qual o livro da sua vida, com qual super-herói você se aparece, nossa, o melhor dos mundos, né?

Em nos prender o Facebook é genial, nos recorda lembranças do passado, nos lembra do aniversário dos amigos, seleciona quais informações devem subir em nossa linha do tempo, time line, claro, baseado em nossas preferências, uma forma de, o cliente tem sempre razão, e somos clientes, as redes sociais vendem o nosso tempo, tempo que doamos de grátis, em vão, e assim vamos consumindo a nossa, a nossa existência.

Agora, mais do que antes e mais do que nunca, sei da vida de todos, conhecidos, desconhecidos, gente que me interessa e gente que pouco me importa, estamos todos juntos e misturados, o que antes era uma forma de aproximação com amigos distantes, familiares, se tornou a nossa coluna social, somos todos famosos e nos tornamos pequenas celebridades em busca de curtidas e comentários positivos.

Nos mostramos, mostramos, vivemos e passamos horas, dias, estamos lá, nas redes, pulando de uma para outra, curtindo, comentando, postando, visualizando, é o que temos, né? Que podemos fazer?  Porém percebo que estamos nos tornando idiotas, aliás, estamos nos tornando uma massa de idiotas online.


Nelson Rodrigues dizia que os idiotas iriam dominar a Terra, não pela capacidade, mas pela quantidade. É só conferir as redes sociais, os assuntos mais comentados do Twitter, os vídeos de maior audiência no Youtube, pra perceber que o brasileiro pouco se importa com a crise política, é indiferente ao país, não se interessa pelo futuro, não pensa de forma coletiva, apenas de forma individual, somos o país da piada, da comédia, gostamos de coisas engraçadas, não de coisas sérias, não discutimos o essencial, rimos do trivial, fazemos graça da nossa miséria, tripudiamos da nossa desgraça, gargalhamos para tudo isto que está aí.....