quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A alegria de conhecer alguém e a dor de perder

A alegria de conhecer alguém e a dor de perder

Ronaldo Magella 30/09/2015

O momento é de alegria, estou conhecendo alguém, pessoas boas e interessantes existem, sorte nossa, e são elas que nos dão ânimo e vontade de viver.

Mas já perdi pessoas, alguém, e esses são momentos ruins, quando perdemos o foco, os sentidos, a vontade de viver, a graça da coisa, a nossa alegria, nos deixamos, apenas isso, vagamos pela vida, pelas ruas sem destino, a esmo.

Muitas vezes é um sentimento de fracasso, de erro que desaba sobre nós e nos domina.
A vida se torna outra quando encontramos alguém especial, alguém que nos prende e encanta, gente de sorriso fácil, conversa boa, jeito leve, vontade forte e desejo de viver histórias, de conhecer o mundo, de provar o sabor da existência.

Gente linda que nos impressiona, nos toca, nos seduz com a Inteligência, com o humor, com a alegria, com a simplicidade.

Quando a gente perde alguém a vida se torna opaca, triste e cinzenta, se instala em nós um fastio de viver, perdemos o ânimo, nos sentimos e nos tornamos indiferentes, o prazer não acontece, não chega, viver cansa, nada anda, tudo é enfadonho e chato, amanhecemos sem vontade e adormecemos angustiados, os dias são lentos e tensos, pesados e frios.

Mas conhecer alguém nos faz voltar a viver, nos coloca outra vez no jogo, agora para correr atrás do prejuízo, nos traz de volta a vida com uma nova perspectiva. 

Agora nos sensibilizamos com as pequenas coisas, o mundo é nosso, cantamos em voz alta, perdemos a vergonha, queremos mostrar ao mundo que estamos vivos, que outra vez estamos apaixonados e as perdas, bem, as perdas, diante da alegria de encontrar alguém que nos desperta um sentimento novo há muito adormecido as perdas agora são apenas experiências.


Mas vida é cheia de encontros e desencontros, perdas e ganhos, alegrias e tristezas, lágrimas e risos, abraços e distanciamentos, lembranças e saudades, beijos e DRs, hoje estou feliz, amanhã talvez sinta um vazio, mas vou aproveitar o hoje, o amor, a paixão, o desejo são coisas para serem vivenciadas enquanto há vida, a e vida acontece agora, neste momento. 

Mulher precisa ter atitude?

Mulher precisa ter atitude?

Ronaldo Magella 30/09/2015

Mulher pode pagar a conta, chamar homem pra dançar, dar em cima primeiro, fazer sexo no primeiro encontro se estiver com vontade?

A discussão parece ser e é interessante, mas as respostas são sempre as mesmas, não pode, pois o cara vai achar que ela é fácil demais.

Isso não tem nada a ver com facilidade, penso antes que tem a ver com vontade e desejo, e as mulheres, igual aos homens, vivenciam os mesmos sentimentos e emoções.
Como sempre, se percebe que a questão não é o que a mulher gostaria, ou o que ela pensa, quer ou sente, mas o que o homem vai achar e pensar dela se ela tomar algumas dessas atitudes.

Ela não pode pagar a conta, o cara vai achar que ela quer ser independente demais, nem pode não pagar, o cara vai achar que é uma mão de vaca, não pode chamar pra dançar, ele vai achar que ela é fácil, mas se ela não chamar, vai perder o cara que é muito mole.  

Ainda haverá no meio da plateia alguém que dirá, isso vai depender muito do homem, só os idiotas pensam coisas e rotulam.

Já tive namorada que ela quem me pediu em namoro e já sai com mulheres que elas pediram para me beijar, e isso não alterou o meu conceito sobre elas e nem o meu sentimento, menos ainda a relação.

As mulheres mais interessantes que eu conheço são as que fazem o que gostam e querem, elas são parceiras, não esperam, perguntam, sugerem, dizem o que gostariam de fazer e não estão preocupadas com o que irão pensar delas, pois elas sabem que elas não são o que pensam delas, elas são o que elas são.

Os homens gostam de mulheres fortes e com personalidade, decididas e seguras, aqui não se fala em querer mandar na relação ou impor sua vontade, mas de ter autonomia dentro dela para decidir e ser respeitada, ser aceita e ter confiança, ter vez e voz, e para isso é preciso uma certa dose de atitude.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sempre há uma forma melhor de falar

Sempre há uma forma melhor de falar

Ronaldo Magella 28/09/2015

Há sempre uma forma de falar, dizer, é preciso ser doce com as palavras, sem ferir ou machucar.

Um coração ferido jamais voltará a ser o mesmo, carregará em si toda a dor que um dia sofreu e as cicatrizes deixadas pelas palavras duras a ele desferidas.

Já se disse que uma palavra depois de lançada não pode mais voltar, quando corta, fere, deixa a dor, a marca.

Palavras são torpedos dirigidos ao coração, captadas pela alma e sentidas pelo espírito.
“Tantos sonhos morrem em poucas palavras, um bilhete curto e já não há nada”, cantou Leoni, provando a força destruidora que uma sentença pode causar em nossa vida.

Sempre haverá formas e meios de se dizer o que se quer sem precisar ser arrogante, sem matar o sentimento alheio, ferir o coração das pessoas, sem causar traumas e provocar feridas.

Não preciso dizer que odeio quando ela veste azul, mas posso dizer que ela ficar melhor de preto.

Não precisamos contrariar as pessoas, mas podemos de forma suave e leve afirmar coisas com tolerância e prudência.

Não preciso dizer, tire essa barda, odeio isso, mas posso dizer, você fica mais jovem sem barba e adoro o cheiro da sua pele.


É preciso sempre encontrar uma forma elegante e simpática de falar aquilo que se que, se deseja sem tão grosso e desgastante.  

Mulher também estraga tudo

Mulher também estraga tudo

Ronaldo Magella 28/09/2015

Ainda hoje uma amiga me disse, vocês homens são todos iguais, homem faz muita merda e sempre acaba estragando tudo, isso me fez pensar e refletir, acabei também por concordar com ela, mas devo também salientar que há muita mulher cometendo deslizes e sabotando a relação.

Não sou machista, muito menos gosto de impor minha opinião numa relação, prefeito dividir e compartilhar, não gosto quando só um renuncia e só uma vontade prevalece, não tenho problema algum em mudar, ceder, ir, mas confesso, gosto de retorno, e sei que, quando se doa demais, a mais, quando só um fizer, cedo ou tarde alguém irá cansar, desistir e perder a vontade de estar ali.

Sou da turma do abraço e num abraço sempre cabem dois, ninguém abraça sozinho, penso que, o que for bom pra mim que seja para ambos, os dois, e o que for bom pra você também me dê prazer, como cantou Djavan, quero um a um, num empate ninguém sai ganhando, não existe vencedor, todo mundo leva um ponto pra casa, ganha alguma coisa, nem eu, nem tu, apenas nós.

Algumas mulheres parecem não pensar da mesma forma,  gostam de exercer o autoritarismo dentro da relação, comigo é assim, se quiser, dizem, de forma arrogante e prepotente. Estão sempre olhando para si mesmas, de forma egoísta e individualista, não sabem se dividir, nem se doar, querem sempre receber, ter, jamais entregar.

Prefeito gesto naturais e livres, não gosto de ser obrigado a gostar, querer ou sentir prazer, acredito que isso não funcione mais nos dias atuais, é possível até encontrar alguém que goste de ser coagido,  afinal, gosto não se discute.

Acho que o consenso é sempre um bom partido, o caminho do meio é sempre menos arriscado, se você não pode hoje, eu posso, e você está comigo, se eu não posso amanhã, aceito que seja você a nos guiar, estamos no mesmo barco, queremos o mesmo destino, somos, penso, um casal, um nós, e de toda relação deve ser um caminho de ir e vir, com idas e vindas.

Ninguém gosta de ser rebocado, puxado, melhor é sempre seguir juntos, caminhar a mesma estrada, habitar o mesmo espaço, respeitando os limites de cada um e permitindo a liberdade individual do outro.

Não acredito mais em macho provedor e mulher vítima, passiva, gosto de mulheres fortes e independentes, com atitude e certa dose de crítica e ironia, prefiro uma mulher a quem eu possa admirar e gostar, um gostar motivado por sua maneira de ser comportar, ver o mundo, admirar as coisas, se encantar pela vida e por sua vontade de querer crescer e ir além.

Jamais tentarei mudar alguém, pra isso existe a vida, porém, quando algo não me encanta, me afasto, não tenho preconceito, não faço barreira para determinadas situações e contextos, gosto de sentir as pessoas, pouco importa o passado delas, mas o que elas são hoje e o que querem ser viver e principalmente o que posso sentir por elas, mas sei o que não quero pra mim, o que não suporto, aceito, e isso, admito, inibe o meu sentimento.

E antes que ela me diga que o meu gostar não o bastante, que nunca cheguei a sentir nada, a minha dica é, apenas senti o que você me permitiu sentir, fui até o limite por você estabelecido, não foi ou era o que eu sentia ou iria sentir, mas o que você me despertou com suas atitudes e maneiras.


sábado, 26 de setembro de 2015

Quando ela falar do ex

Quando ela falar do ex

Ronaldo Magella 26/09/2015

Mulher não fala, manda recado. É sempre um arrodeio.

Mulher é sempre o que ela não diz.

Ela não pede, seduz.

Jamais dirá, quero água, apenas será sutil dizendo, “estou com sede”, e você gentilmente irá entender que aquilo foi uma ordem.

Mas quando ela falar do ex estará deixando algumas coisas claras e diretas, mesmo que forma implícita.

Quando ela disser, meu ex era muito ciumento, está apenas te dizendo, por favor, não seja assim.

Ao dizer o que ele era um grude, não a deixava respirar, está clara a mensagem, preciso de liberdade, respeite o meu espaço, preciso também viver a minha vida.

Ao dizer que faltou confiança, ela estará te pedindo para confiar no que ela está dizendo.

No fundo ela estará dizendo o que gosta e o que não gosta, aquilo que era bom e aquilo que ela não quer mais viver, ter, sentir, passar.

É preciso prestar atenção aos detalhes, a música que ela toca ao falar e que você, talvez, precisa dançar.

Os mortos devem ficar enterrados, mas eles podem nos ajudar.

Ninguém gosta de terceiros na relação, de ex pra cá, ex pra lá, mas eles podem nos ajudar a não cometer os mesmos erros, afinal, se não tivessem errado, não estariam hoje classificados como ex, no passado.



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Mulher tem sentimentos, é preciso respeitar

Mulher tem sentimentos, é preciso respeitar

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada

Já percebi que as mulheres sentem diferente dos homens, são mais profundas e intensas, se entregam mais, enquanto os homens são mais rasos e curtos, e muitas vezes não se dão totalmente na relação.

Mulher se envolve mais, ela cuida, se preocupa, se preserva, se dedicada, espera se reconhecida, ela se entrega, pra ela a relação precisa ser completa e intensa, viva e quente, por isso eles sentem mais, e como sentem.

Um homem cura rápido a sua dor de amor, bebe, arruma outra, vai pra balada, festa, sairá com os amigos, como se nada tivesse acontecido, sim, entra um pouco de orgulho, machismo, e não pegará mal pra ele ser vista com outra logo em seguida ao término de uma relação. Com as mulheres isso não acontece da mesma forma.

As mulheres se entregam de forma mais intensa, sentem mais, há uma demora e uma distância para chegar a cura de uma dor de paixão, elas não conseguem seguir o mesmo roteiro que os homens, bebida, amor novo, festa, e não fica bem pra elas serem vistas já com outro de forma recente ao fim de uma relação.

Mas os homens não entendem isso. Uma mulher recém-separada, que terminou uma relação a pouco tempo, demorará um pouco para entrar em outra, mesmo que na antiga não houvesse mais amor, não é tão simples pra elas, como é para os homens. Machuca, dá medo, magoa, existe insegurança, claro, por conta do sentimento, do envolvimento, da dor, e da sociedade ainda machista, ela irá precisar de um tempo, primeiro pra si, segundo para encontrar confiança em outra pessoa para ter a coragem de investir em outra relação, e ainda para curar o que está ferido por dentro.

As mulheres sentem mais, aos poucos elas irão ceder e permitir que alguém chegue e faça companhia, que se torne amigo e depois, talvez, se ela sentir segurança, que se torne alguém querido, mas isso irá demorar um tempo. Como os homens, muitos, só querem uma noite de sexo, de prazer, só querem ficar e curtir, nunca é tão simples para uma mulher aceitar ser usada, por mais liberal que seja, moderna, isso ainda não é tão fácil de ser digerido, ser apenas um objeto de sensações.

Os homens não entendem isso, muitos são imaturos e machistas, pensam apenas em si e na noite de prazer que podem ter, na glória de contar aos amigos que está com a fulana de tal, está pegando, comendo, desprezando o sentimento de alguém, de uma mulher. 

A experiência me ensinou a respeitar o sentimento de uma mulher, mesmo sabendo que terminou há pouco a sua relação, sei que dentro dela há ainda muitos sentimentos e dores, confusões e lembranças, saudade e memória, sim, elas sentem e muito, é preciso respeito e tempo, compreensão e paciência.


Mas sei também que a paixão é algo que não se controla e quando se encontra alguém especial, diferente, interessante, não há como resistir, se controlar, deixar passar, só resta sentir e viver. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Gente clichê

Gente clichê

Ronaldo Magella 24/09/2015

Muitas vezes tenho a impressão que as pessoas são todas iguais, sem tirar nem por, posso até estar enganado, e espero de fato que assim o seja, mas pela observação percebo que as pessoas imitam umas as outras.

Gente clichê, gente igual, comum demais, preto e branco, sem cor, sem ondulação, sem brilho próprio, sem espinhos, macias e limpas.

As pessoas, os clichês, gostam das mesmas coisas, fazem as mesmas coisas, ninguém tem coragem, com suas exceções, de ser diferente, de mudar, de arriscar, de ir além, de pensar fora da caixa, de viver de forma quadrada esse mundo que já é redondo demais.

Todo mundo quer a mesma coisa, aparecer, se mostrar e mostrar o que faz, vive, como se vivessem buscando a atenção alheia, uma massa de pessoas carentes ostentando a sua própria vida para uma multidão de pessoas desconhecidas e indiferentes.

Querem todos receber curtidas e comentários, estes altamente criativos, tipo, linda, top, arrasa, gata, delícia. Pelas redes sociais as nossas vidas se tornam um reality show, com produção, exibição, organização e dividendos todos nossos, exclusivamente nossos.

Muitas vezes caímos no ridículo, mas nem nos percebemos, apenas queremos ser mais um clichê, estar no meio, fazer parte, ser notado, percebido.

Quero estar mais uma vez engando, mas penso que as pessoas mais interessantes estão na escuridão, silenciosas, não estão exibidas em redes sociais como produtos de supermercado em promoção, se ofertando a preços módicos e irrelevantes.



Por que algumas relações duram?

Por que algumas relações duram?

Ronaldo Magella 24/09/2015

Sempre que vejo casais de longa data ainda juntos me questiono o que os leva a serem dão duradouros em suas relações, e, refletindo, vejo que basta um pouco de observação para perceber algumas coisas, interação, alegria e afinidades, são pontos referencias.

A sensação que tenho é que os casais longevos conversam muito entre si, eles discutem sobre tudo, falam sobre os amigos, fazem planos, estão sempre comentando sobre alguma coisa, não precisa ser sobre teoria espaço-tempo e física quântica, eles apenas se falam, como se fosse algo essencial para se mantar uma a vida a dois, é preciso ter diálogo, conversa, ritmo, interação.

A prova disso é que quando iniciamos uma relação a gente fala, fala, pergunta, responde, quer conhecer, saber, questiona, abusa nos comentários, mas quando o silêncio desaba, junto com ele vem a vidinha que ali havia sido construída, quando cada um parte para o seu mundo e se tranca em seu redoma, só restará o tédio e a vontade de fugir, como se agora tudo que era bom fosse apenas uma prisão.

Eles são afins, afinidade é um alicerce seguro para se manter na estrada por um longo tempo. Não que ela goste dos mesmos filmes que ele, mas eles gostam de cinema, não que ele ouça a mesma música que ela, mas eles curtem música, e por assim dizer, irão se encontrar cedo ou tarde, pois seus temas são iguais, mudando muitas vezes os detalhes, mas sempre haverá um ponto de intersecção entre eles, o que manterá o elo unido.

Eles fazem coisas juntos, compartilham amigos, vivem experiências, viajam, aproveitam o mundo juntos, descobrem e se descobrem, têm sonhos e planos em comum, como se fosse bom realmente estar juntos, como se fosse gostoso estar ali e fazer parte um da história do outro. Eis a alegria.

Não dá pra estar junto, ligado se não se puder sorrir, gostar, é preciso se sentir alegre e confortável na naquele lugar, e talvez seja isso que pese na hora em que as mudanças venham a surgir e aparecer, na hora que as brigas se tornam um momento que precisa ser superado com paciência e ternura.


Depois de tudo isso penso que há sempre uma história a ser contada e lembrada, e uma história é algo que a gente gosta de ter, viver e continuar, casais que se mantém sempre são permeados por uma história que eles gostam de relembrar e recordar, como se aquilo, aquele momento única na vida deles explicasse todo o resto do universo e a razão de viver. 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O que te faz mudar?

O que te faz mudar?

Ronaldo Magella 22/09/2015

Não sei como mudar, mas sei que a gente muda muitas vezes na vida, e também sei que não é possível sempre ser o mesmo, ninguém se suporta, a gente não se suporta, a vida, como cantou Lenine, pede um pouco mais de nós.

Talvez uma dor nos faça mudar, a solidão, a falta de empatia, muitas vezes apenas a necessidade de ser diferente, outras vezes a vontade de ser apenas quem a gente é e mais nada.

Isso, mudamos para ser o que somos. Mudamos para ser quem a gente tem vontade de ser.

Enquanto a gente não é quem deseja, quer, jamais será completo.

Uma amiga me conta que girou a vida em 360º. 

Sempre fui mimada, cheguei a ser miss, a garota mais bonita da cidade, sempre fui o foco das atenções, mas não era o que queria, ou pelo menos, na época curtia, até não suportar mais.

Como ela me conta, em conversa, hoje prefiro estar na minha, discreta, gosto de observar, não quero ser olhada, gosto de olhar as pessoas, não me vejo mais como o centro das atenções, agora são as coisas ou as pessoas que prendem a minha atenção.

Sozinha, morando só, me diz que o silêncio provoca barulhos ensurdecedores dentro dela, e me diz, estou no meu momento íntimo, a sós comigo mesmo, crescendo, amadurecendo, me livrando dos pesos e descobrindo uma vida que aos poucos vai se ajustando em mim, dentro de mim.

Ainda sou quem sempre fui, mas mudei o foco, atirei para outras direções, deixei caminhos e abri veredas novas, cruzei pontes e encontrei caminhos diferentes, estranhos, mas aconchegantes. 

Primo pela liberdade, como um pássaro que pousa por vontade em qualquer lugar, quero também encontrar o meu lugar, mas não por imposição, mas por vontade, apreço e afeto. Quero pertencer a algum lugar, escolhido, decidido e sonhado.

Algumas decisões são difíceis e árduas, mas trazem sempre consigo sempre com o tempo suavidade e leveza, equilíbrio e serenidade. Nunca é fácil mudar, é como tomar remédio, amarga no momento, mas alivia e conforta com o tempo.

Quero provocar meus erros, sofrer e me erguer, mas através das minhas decisões e escolhas, quero viver uma vida, a minha vida, não a vida sonhada dos outros, pelos outros, quero a minha vida, pequena, simples, intensa, mas singular e única por ser minha e de mais ninguém. 

Talvez minha amiga tenha encontrado o motivo para se transformar em outra, em tantas, apenas ser o que sempre quis ser, ela e somente ela, livre, liberta, dona de si e das próprias escolhas e responsável pelos próprios erros.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A sociedade moderna e o efeito zumbi

A sociedade moderna e o efeito zumbi

Ronaldo Magella 21/09/2015

O cinema criou uma metáfora perfeita para a moderna sociedade de consumo e de massa, os zumbis.

A sociedade alienada, sem reflexão crítica, ação criativa ou outra preocupação além dos instintos de sobrevivência e perpetuação, vive como se fosse comandada apenas por seus desejos e vontades, sem a menor resistência.

Para a filosofia o termo Zumbi é usado para pessoas que não possui consciência.

Consciência seria se usar das mais variadas formas de pensamentos e reflexão em torno da vida, pessoas, objetos, desejos, vontades, ações e experiências.

Um amigo, filósofo, Batista Alves, criou uma canção, chamada, claro, Zumbi, na qual ele canta, somos todos zumbis, zumbis, zumbis, nas ruas, nas filas, nas escolas, nas casas, na vida.

Para o autor da música as pessoas não são inquietas e aceitam tudo de bom grado e sem o menor interesse em ir além da superfície do que está ali, como se tivessem uma venda nos olhos, mas um largo sorriso na face. 

Para ele ninguém tem a preocupação de se perguntar ou se questionar sobre o que chega, apenas se consome, engole e se passa para a próxima refeição, leia-se moda, momento, modelo, criação midiática.

Vive-se uma época opaca em que questionar é proibido e censurado, ser diferente e não fazer parte daquilo que todos fazem é como não existir, as redes sociais nos provam isso todos os dias.


As pessoas vivem, como zumbis, em rebanho, fazendo aquilo que todos fazem, copiando, imitando, sem pensar ou raciocinar, as pessoas apenas seguem o rio, pouco importa o destino, querem apenas seguir, não querem se sentir sozinhas ou abandonadas, elas seguem. 

Nunca estamos na melhor época para se viver

Nunca estamos na melhor época para se viver

Ronaldo Magella 21/09/2015

Escrevo essa crônica ao som dos Beatles e penso em como seria bom ter vivido na apaixonante década de 60, havia mais poesia no ar, amor, paixão, liberdade, tenho a sensação que era mais fácil sorrir naquela época.

Há gente que não se encaixa em meio a tanta tecnologia, com esse ritmo veloz e essa vida digitalizada, mesmo que esteja imerso e precisando conviver com tudo que está ao redor, mas não podemos confundir necessidade com vontade, obrigação com amor, paixão com trabalho.

Sim, muitas facilidades, mas perdemos a magia de viver nos tempos atuais, tudo é muito prático, rápido, simples e fim, não há mais nada, já era, passou.

Woody Allen no filme Meia noite em Paris irá tratar do tema, nunca vivemos na época que gostaríamos.

Talvez alguém da década de 60 tivesse a sensação de que viver nos anos 20 fosse a melhor experiência do mundo, e quem viveu nos anos 20 sonhava em voltar ainda mais no tempo, séculos recuados.

Daqui a 50 anos é possível e provável que as pessoas suspirem pelo início século 21, como se fosse esse momento fosse a década perdida e perfeita para se viver e fazer parte, porém, tenho minhas dúvidas.

Porém reafirmo o meu desejo de voltar no tempo e viver a colorida década do paz e amor, da experimentação, da mudança dos modelos e padrões, da contracultura, das flores, de andar pelo mundo, de viver a vida de forma intensa.


Como no filme, resta suspirar e sentir saudades de algo que nunca se viveu. 

sábado, 19 de setembro de 2015

O mundo se tornou um lugar muito comum

O mundo se tornou um lugar muito comum

Ronaldo Magella 19/09/2015

Você viaja e a sensação que se tem é que o mundo agora é muito pequeno e que todo mundo é igual, faz a mesma coisa, pensa do mesmo jeito, come a mesma coisa, fala a mesma coisa, vive a mesma coisa.

Você pra o Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Fortaleza, Teresina, João Pessoa, e ao chegar vai perceber que todo mundo está com o celular não mão, andando distraído pelas ruas, como zumbis.

Está todo mundo está conectado ao Facebook, falando no WhatZapp, postando fotos no Instagram e fazendo selfie em todo lugar, os hábitos, vícios e costumes são os mesmos agora em qualquer lugar do planeta.

Todo mundo assiste aos mesmos filmes, falam das mesmas séries, estão nas mesmas redes sociais, usam as mesmas marcas, falam as mesmas gírias, conversam as mesmas coisas, vivem o mesmo mundo, como se já não houvesse mais nada de diferente em lugar algum.

A comida é a mesma, pizza, pastel, hambúrguer, batata frita, refrigerante, salgados, McDonald’s, Burger King, Habib’s, cadeias, redes, multinacionais, conglomerado, massificação em larga escala.

Tudo é sempre algo rápido e industrializado, sendo você turista sem tempo, não irá também em se preocupar com iguarias locais, em achar algo específico do lugar, da região.

Talvez visite os pontos principais, faça fotos, ah claro, olha você fazendo a mesma coisa em qualquer lugar, do mesmo jeito, você também é mais do mesmo.

Andar pelas ruas já não é algo mais extraordinário, cheias de publicidades e propaganda das marcas que você já usa e que estão difundidas em escala planetária tudo parece normal e comum de mais.

Não tenho medo de ir pra nenhum lugar do mundo, já sei mais ou menos o que irei encontrar por lá.




sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Dá pra comemorar um mês de namoro?

Dá pra comemorar um mês de namoro?

Ronaldo Magella 18/09/2015 – jornalista e escritor

Dá pra comemorar um mês de namoro? Ainda tem gente que namora no mundo atual? Meio antigo isso.

Antes era fácil completar bobas, muitas, cinco anos, dez, vinte, hoje a gente conta os dias, quando passar de semanas aí se comemora, se passar de meses, nossa, parece eterno, e  se chegar a um e vários anos vira, destino, torna-se alma gêmea.

Pensando assim, vamos comorar agora os dias. É o que temos. Sou daqueles que contam os dias, as semanas, os meses, ainda não dá pra falar em anos. Sempre termina antes. 

Sou romântico, que posso fazer?

Nunca foi tão difícil manter uma relação, as ofertas são imensas, a variedade também, a intolerância maior, ninguém quer ou sabe mais perdoar, desculpar, relevar, tudo precisa ser perfeito, tudo mundo é muito exigente, mas se for perfeito demais a gente não suporta, nem aguenta. 

Se o cara é romântico, abusa, se é meloso, é chato, se é indiferente, se cobra, se é distante, não se apega, se é bom, é traído, se trair, sofre vingança, fica difícil saber como se comportar numa relação, qual forma é a melhor forma de ser e se conviver dentro. 

Somos contraditórios, por mais que a gente eleja o prazer como a nossa única forma de ser feliz no mundo atual,  a nossa felicidade hoje é mudar, e se muda, sempre, de amores, paixões, parceiros, até de amizades, quando algo não dá certo como se queria, não se conversa, nem se busca resolver, apenas se muda e se deixa para traz os problemas, nunca, jamais resolvidos.

Sabendo que isso não nos torna melhor ou pior, nem nos promete nada, muitas vezes incute a sensação de que ainda não vivemos nada, nem um amor, nem uma história de amor. 

Só mudamos e sofremos com as mudanças ou carregamos o sentimento de vários pedaços que nunca formam um todo. 

Mas a verdade é que gostamos de demonstrar que os riscos são melhores do que a rotina e a monotonia, porém, todavia, entretanto, no fundo, e  a gente só diz isso no banheiro ou cama pela noite antes de dormi , bem lá no fundinho, a gente quer a sorte é mesmo de um amor tranquilo.

Aqui e ali vejo alguém comemorando um mês de namoro, 0.1, parabéns pra nós.

A impressão que tenho é que, as pessoas devem se dizer interiormente, vamos aproveitar o momento e o tempo que já estamos juntos, não sabemos o que irá nos acontecer, amanhã pode ser que tudo termine ou acabe e que sem sentimentos cada um vá pra o seu lado e tudo aquilo que nos aconteceu não tenha passado de uma simples experiência.


Nessas horas me acho um pouco antigo, quadrado, como diz um amigo meu, o escritor Alysson Victor, às vezes me sinto um quadrado querendo passar dentro de um círculo. 

E com diz o escritor, se alguém pensar assim, melhor sentir, de verdade, pois muitos pensam, falam, mas não sentem o que pensam e falam, logo, se alguém sentir assim e se sentir assim, do mesmo jeito, por favor, apareça, por favor, venha logo. 

Por favor, apareça.

Por favor, apareça.

Ronaldo Magella – 18/09/2015

Se você acredita em amor, adora flores, gosta de olhar as estrelas e sonhar com um mundo melhor, por favor, apareça.

Se você adora cinema, conversar sobre música, se pensa de forma quadrada num mundo que se torna cada vez mais redondo, venha, por favor, venha logo.

Se você pensa por si mesmo, escreve, toma café, suspira de amor, morre de paixão, rir de si mesmo, ouve mais do que fala, fala quando precisa, curte um pouco de solidão, adora pessoas interessantes e inteligentes, não me deixe aqui sozinho, chegue mais.

Se você gosta de viver, e sente que viver nem sempre é algo grandioso, mas pequenas coisas, como sentar na calçada com os amigos, contar boas histórias e dar gargalhadas, por favor, não se esconda, não me deixe sozinho.

Se você não tem medo de sentir de saudades, nem de gostar, se tem vontade de viver, conhecer o mundo, amanhecer na praia e se encantar sempre com o pôr do sol, se você acorda cedo e dorme tarde, sonha acordado, gosta mais de livros do que de programas de televisão, se antes de dormir sempre ler uma página, se adora poesia e pensa em sair pelas ruas distribuindo abraços, eu imploro, me dê um abraço, por favor.

Se você canta no banheiro, de ainda anda de mãos dadas e gosta de ver filmes com seu amor, se adora ficar na rede conversando, deixando o tempo ir bem devagar, se acha uma conversa ao vivo mais interessante do que uma rede social ou um aplicativo, se prefere gente à computador, eu gostaria de ter conhecer, por favor, me dê uma chance.

Se você nem tem medo de sentir, chorar, amar, se sente saudade, se sorrir muitas sozinhos, lembrando de algo bom ou engraçado, se tem vontade de dizer que ama as pessoas, que gosta por gostar, sem precisar de algo em troca, se você não esquece um grande amor, mas sabe que sofrer não a trará de volta, se acredita que a vida é linda e que tudo pode acontecer e vai acontecer, se você tem paciência e espera, não como quem senta e fica, mas como quem faz por acontecer, junte-se a mim, venha, chegue, fique, apareça, por favor, ainda há tempo e esperança.

Pra nós. 



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Por que os homens não querem a amizade das mulheres

Por que os homens não querem a amizade das mulheres
Ronaldo Magella 16/09/2015

Os homens são tolos, idiotas, imaturos, bobos e muitas vezes desinteressantes, ou seja, muitas vezes são apenas o que são, homens, e nada mais.

Demora pra um homem, macho, perceber e entender uma mulher, falta sensibilidade e paciência.

Os meninos são apressados, as meninas inseguras.

Eles querem chegar com tudo e resolver o jogo, matar de goleada e correr para o abraço, mas as mulheres precisam de preliminares e de um certo intervalo de tempo para pensar e sentir, ter certeza e apostar.

E para isso, nada melhor do que amizade.

É pela amizade que tudo se concretiza.

Há uma diferença entre, “gosto de você como amigo”, e, “vamos ser amigos”, e, ou, “só quero amizade”. Cada um dessas sentenças traz consigo uma mensagem subliminar.

Os homens não entendem que as mulheres são inseguras, medrosas, dramáticas e desconfiadas.

É pela amizade que elas irão construir uma relação, amizade quer dizer, traduzindo, se quiser posso desenhar, mas em resumo, quando elas falam em amizade, querem dizer:

Vamos nos conhecer, fique por perto, preciso de segurança, será que você me quer mesmo, ou quer apenas brincar comigo, preciso saber quais são as suas intenções, se há outra pessoa em sua vida, se posso confiar em você, qual é o seu passado, o que sinto, o que você sente, se é o momento certo, se é o que quero, preciso, se vale a pena, ser bom.

Só isso, simples assim, quase nada.

Mas eles, os meninos, os homens, como crianças que são, correm e somem quando ouvem falar de amizade.

Eles dizem, não quero só amizade com você, quero mais. Como disse acima, são tolos, bobos e imaturos.

Será que eles não entendem que amizade quer dizer, há uma chance idiota, mas não é tão rápido como você quer e deseja, me encante, me faça acreditar, gostar e querer, lesado. Aff. 

Um pouco mais de experiência e maturidade os faria enxergar melhor.

E se realmente se gostasse da outra, da mulher, menina, garota, ficar perto seria uma delícia, um momento de prazer e alegria, por que a necessidade de rotular, classificar e impor uma forma de ser como gostaríamos que fosse?

Mas os homens são predadores, querem fisgar a presa, enquanto as mulheres são como peixes, são atraídas pelas iscas, leia-se, pelo desejo.


Posso estar errado, mas pela minha pouca e quase insignificante experiência, porém aprendi que é pelo contato, pela companhia que nos afinamos com alguém e nos envolvemos, conversando, estando presente, se fazendo sentir e notar, demonstrando segurança e confiança, interesse e afeto. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Música alimento pra alma

Música alimento pra alma
Ronaldo Magella 15/09/2015

A volta da Legião Urbana, mesmo sem o Renato Russo, apenas com o Dado Vila-Lobos e o Marcelo Bonfá, reacende em mim uma esperança, de ver pela primeira vez uma das maiores e melhores bandas de rock do Brasil de todos os tempos e uma das minhas favoritas.

Sei cantar todas as músicas da Legião Urbana. Só pra registro.

Na minha lista ainda preciso ver o Skank, a Ana Carolina, U2, Iron Maiden e Coldplay, Chico Buarque, e pronto, meio que me daria por realizado e meio satisfeito.
Já viajei muito e vi muitos shows, alguns até penso em ver outra vez, outros não tenho a menor intenção.

Já vi o Jota Quest duas vezes, a primeira vez não gostei, da segunda achei os cara super simpáticos e gostei do show. O Biquine Cavadão estou cansado de assistir, não há nada de novo.

O Jorge Vercillo nunca sairá a minha lista, é afetivo, paixão incondicional.

Não iria outro show da Maria Rita, nem da Maria Gadu, não é por nada, só não tenho mais vontade.

Mas morro de amores pela Vanessa da Mata, uma delícia o show. Já vi o RPM, não gostava da banda, mas adorei o show. Nando Reis é permanente, já vi dois shows do cara e não canso, há uma energia no ar e muito rock simples e contagiante.

O Frejat me encantou a primeira vez que o vi, mas no segundo show que fui não me empolguei. Sinto não ter conhecido o Cazuza. 

Ver a Maria Bethânia cantar é sempre uma catarse e um sentimento que não sei explicar. Também já vi o Caetano Veloso e a Gal Costa, não se pode morrer sem vivenciar esses momentos.

O Paralamas do Sucesso é sempre jogo ganho, os caras sabem fazer um show e nunca decepciona. Já vi O Rappa, a Nação Zumbi, o Humberto Gessinger, gostaria de ver o Engenheiros, mas gostei de ver o cara no palco, em mais de duas horas ele não deixa você respirar e emenda uma música atrás da outra.

Gostei do show do Marcelo Camelo, mas o achei um pouco arrogante e distraído, ele não voltou pra o biz, o que me deixou chateado com ele, mas iria outro show dele se houver oportunidade.

Já vi a Marisa Monte, Natiruts, Otto, BNegão, Zeca Baleiro, Teatro Mágico, aqui, confesso, sou fã de carteirinha.

 Lulu Santos, tenho a impressão que o primeiro show é sempre muito bom, já o segundo é meio uma repetição e se você não for fã do cara, sentirá sono, mas Lulu é jogo ganho.

Não gosto muito de samba, mas gostei de Seu Jorge e Jorge Aragão, como também fiquei maravilhado com o intimismo e a performance do Arnaldo Antunes.
Ainda não fui a um show do Titãs, falta no meu cardápio.

Fui em 2011 ao Rock In Rio, ver o Metallica, e ainda de quebra, o Slipknot, o Motohead, o Sepultura, o Angra, era o dia do Heavy Metal, muita gente de preto, muita guitarra, muito som pesado e muita calma.

Sim, apesar de ser um festival de rock, não vi nenhuma briga, nem vi furtos ou roubos, todo mundo convivendo de forma pacífica e tranquila, só filas quilométricas e emoção de fazer parte de estar num dos maiores festivais de Rock do Planeta Terra.

A sensação de ver uma banda como o Metallica, um dos maiores grupos de Heavy Metal do Planeta, há 50 metros de distância, num festival internacional, é algo sensacional, você estar ali, mas não acredita, pensa que é um sonho, demora pra você cair na real, só quando alguém pisa no seu pé.


No mais, música, shows, é o que nos move. 

Ao meu enterro

Ao meu enterro

Ronaldo Magella 15/09/2015 – jornalista, professor, escritor

Não gosto de enterros. Nem de velórios. Não costumo visitar funerais. Não tenho medo de morrer, nem da morte, menos ainda de almas ou espíritos, acho até morrer algo simpático e necessário, natural e comum.

A verdade é que nunca sei o que dizer em tais situações. Sei que a presença é algo que por si mesmo já conta e que não é preciso dizer nada, apenas estar lá, abraçar, se fazer presente, mas pra mim é muito desconfortável.

Sempre fico cheio de pernas, não posso ver ninguém chorando, choro junto, sou emotivo, mesmo sem conhecer quem morrer, não importa, choro, e choro, e choro, por isso evito ir.

Quando morrer gostaria que o meu velório fosse como aqueles que o cinema americano nos mostra em seus filmes, uma foto imensa do falecido, gente contando histórias e piadas, alguns discursos emocionados e muita alegria. Sim, alegria.

A única tragédia é viver, ou morrer, sei lá, viver já nos consome demais, a gente sofre, chora, perde pessoas amadas, adoece, vive dramas, conflitos, está sujeito ao pior dos mundos, das situações, morrer chega muitas vezes ser um alívio e sentimento de dever cumprido.

Não penso na morte como algo ruim, penso ser mais um mistério que será desvendado, até já tenho um lista de perguntas pra quando eu morrer, quero saber muitas coisas, descobrir outras e a grande pergunta, sim, e agora, morri, e depois?

E claro que a resposta já tenho, já li muita obra espírita e acredito em vida após a morte, mas a vida mesmo, essa, a real, antes da morte chegar, precisa ser vivida, e isso sim, é que nos permitirá uma morte, digamos, leve.


Você convive tão bem com a solidão

Você convive tão bem com a solidão
Ronaldo Magella

A frase não é minha, é de uma amiga, colorida, que outro dia me perguntou o que realmente queria com ela, já que, pelo que percebia, eu parecia estar bem sozinho e sem ninguém.

Sim, realmente, mas até então não tinha percebido que estava feliz sozinho, sem amores ou paixões, precisei que alguém me fizesse enxergar.

Acho que já passei da fase de querer ter alguém por querer alguém, e não por ser alguém especial, maravilhoso e fantástico, encantador e apaixonante, fascinante e simples ao mesmo tempo.

Pessoas simples me encantam. Só para registro.

Aprendi a conviver com o tempo e com as minhas necessidades, deixei de ser carente, confesso, até estou surpreso comigo mesmo. Nos últimos meses renunciei as várias paixonites e namoricos, eram meninas e mulheres lindas, interessantes e inteligentes, mas não era o meu momento, até corri atrás, mas cansei rápido e achei melhor ficar sozinho.

Enfim, a evolução.

Não que solidão seja algo que aprecie, mas amores achados são mais deliciosos do que aqueles que são avidamente procurados e que muitas vezes só rendem dores de cabeça e decepções.

Decidi então ser achado pelo amor, desisti de procurar por um amor. Espero que não demore o resgate.

Até acho graça, outro dia uma amiga me perguntou se eu havia mudado alguma coisa nos últimos tempos, e bem, acho que sim, mas ela sabe, apenas me testou mais uma vez como sempre o faz. No fundo, ao me olhar, ela percebe mudanças gritantes e um amadurecimento delicado e interior.

Solidão não é pra gente comum, como diz o Ivan Martins, gente, como a gente, precisa de gente, de afeto, carinho, beijo, do corpo, de prazer e palavras amenas, como canta Gonzaguinha, o que a gente não é precisa é fazer disso um alvo a ser perseguido com todas as forças até cansar.

E cansar. E como cansa.

Vejo amigos que toda semana mudam de paqueras, de fica, e vejo a força e o esforço deslocado para conquistar tais afetos que sempre resultam em nada, em vazio e solidão, uma solidão amarga e angustiante pelos erros cometidos ou pelas aventuras malogradas.

A minha solidão é leve, tem textos, livros, filmes, séries, tem rede, WhatZapp, tem também saudades e lembranças, mas nada tão grave que possa atordoar ou machucar, é uma sensação gostosa de vida vivida e momentos deliciosos apreciados na companhia de pessoas que jamais irei esquecer.

A vida se torna mais leve quando você não se impõe as suas necessidades, até sabe que precisa, mas entende que cedo ou tarde deverá acontecer, e quando chegar será bom, bonito e maravilhoso.  
E leve.