quarta-feira, 31 de julho de 2013

O amor tem caminhos quando não existem estradas...

O amor tem caminhos quando não existem estradas...

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.

Nenhum esperava apaixonar-se, ela queria, mas sabia que não o encontraria mais, ele não se preocupava, estava bem. Um dia conheceram-se, beijaram-se, apaixonaram-se, noivaram, casaram-se. Foram felizes. Ele acordava cedo, ela tarde demais, ela gostava de trabalhar, ele adorava ler, ele odeia poeira, ela não liga muito, ela conta tudo, ele fala pouco. Não tiveram filhos, foi menor o sofrimento. Um dia ela acordou do sonho, ele não entendeu, ela disse que não agüentava mais a vida, cobranças, ele contou pela primeira vez que não suportava a falta de cuidado dela, “ela disse, eu não sei mais o que sinto por você”, ele disse, “vamos dá um tempo, um a gente se vê”, e, “falaram o que não deveria nunca ser dito por ninguém”. Ela suspirou de alívio, ele procurou alívio, ele tentou resignar-se, ela aceitou as mudanças com normalidade, ela procurou novos caminhos, foi embora, “correr mundo, correr perigo”, ele ficou, continuou a viver. E assim o tempo passou. Ele não queria envolver-se com ninguém, ela até que tentou, mas não levou ninguém a sério, ele deu-se conta que nunca pediu pra ela ficar, ela ficou pensando se teria ficado se ele pedisse, ela não insistiu no pensamento, ele continuou pensativo. Ele tomou uma decisão, iria buscá-la onde ela estivesse, ela nunca quis dá notícias a ele, ele largou tudo e se pôs a caminho, ela nunca esperava voltar. Ele começou a viagem, entrou no ônibus, mal sabia para onde ir, mas tinha pista. Sentou, suspirou, fechou os olhos, dormiu. A outra estava de férias, queria apenas passar dias em qualquer lugar, pegou o primeiro ônibus que passou, sentou do lado de um homem que roncava, a outra gostava de sentar sozinha olhando a janela, mas era o único assento. Ele acordou, a outra percebeu e não gostou. Ele disse bom dia, a outra boa tarde, ele perguntou onde estavam, a outra disse, pra onde você quer ir, ele riu, a outra não. Ele contou a sua história, a outra não acreditava em amor, ele narrou com ternura, a outra suspirou de vontade, ele era capaz de amar, a outra começava a acreditar que também, ele segurou a mão dela, a outra o beijou. O que estava acontecendo, perguntou ele, a outra disse, eu também não entendo, você vai pra onde, ele quis saber, a outra perguntou, por que quer saber? Ele disse, eu vou com você, a outra disse, eu quero. Namoraram, noivaram, não casaram, casar era brega, ele era tradicional, a outra moderna, ele aceitou, ela achava melhor. Tiveram filhos, foram felizes, brigaram, mas o amor era maior, nunca a outra foi embora, nem ele precisou pegar outro ônibus. Ele a esqueceu, a ela, com a outra, ela nunca mais soube de nada, ele nunca mais pensou em buscá-la, ela tinha também outros rumos, ela nunca se arrependeu, ele achou que o seu destino era mesmo encontrar a outra, a outra nada pensava, apenas vivia.


            Assim é a vida, ele, ela, a outra, o amor tem caminhos onde não existem estradas....

Quando alguém não te quer mais, há sempre dois caminhos, mudar ou continuar o mesmo

Quando alguém não te quer mais, há sempre dois caminhos, mudar ou continuar o mesmo
Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.
No filme A Rede Social, o fundador criador e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, tem uma das ideias mais geniais da história da humanidade depois de levar uma fora da namorada num restaurante. Ele volta pra casar, para o alojamento da Universidade de Harvard começar a beber e lá pelas três horas da manhã cria aquilo que seria uma das maiores e mais viciantes redes sociais da história humana, o Facebook.
Mas não é sobre o Facebook que quero falar, mas sobre os relacionamentos  fracassados, que não dão certo e o que fazemos quando isso acontece com a gente. Mark Zuckerberg criou o Facebook, com raiva ou magoado, querendo mostrar pra namorada que era melhor e que ela estava errada, enfim, não importa os motivos, o fato é que ele fez alguma coisa, e a gente sempre faz, mas nem sempre pra melhor.
Uma amiga terminou o casamento, não suportava mais, há 15 anos ela passava as noites de sábado em casa, o marido saia pra beber com os amigos, jogar sinuca, baralho, dominó, não, ele nunca a traiu e ela nunca se importou com os amigos dele, mas ela queria atenção, queria que pelo menos que ele também dispensasse a ela o mesmo tempo que tinha para com os amigos, o cara não mudou, ela, então, decidiu cair fora.
Resultado? O cara continuou do mesmo jeito, fazendo as mesmas coisas, o que provou pra ela que ela estava certa. No filme Mark Zuckerberg é alguém arrogante, orgulhoso e metido, mas depois de ficar rico ele ainda vai atrás da namorada, claro, pra ela pouco importava o seu dinheiro, mas a sua personalidade. Zuckerberg tinha em mente que mudando poderia ter seu amor de voltar, mas mudou de outra forma, não da forma que ela deseja, o que a levou a dizer outra vez não e ele termina sozinho no filme.
Sempre, penso, e só acho, haverá essas duas possibilidades, ou a gente se arrepende ou a gente comprova que era mesmo o melhor a fazer. Até hoje nunca me arrependi de ter terminado meus relacionamentos, pelo contrário, o tempo provou e mostrou que tinha mesmo que ser daquela forma, eu sempre estive disposto a mudar, mas quem estava do meu lado nunca teve a mesma disposição, como se apenas eu quem tivesse que fazer todo o esforço do mundo para tornas as coisas interessantes, agradáveis e eternas.
Outro dia conversando com um amigo, disse-lhe que estava pensando em voltar pra um antigo relacionamento, e ele me mandou para de invenções sem lógicas e sentidos, e eu lhe perguntei, mas por quê? E ele me disse, pelo simples fato de que ela quer que você viva a vida dela, mas ela não está disposta em compartilhar coisas que você esteja querendo viver. E ele tinha mesmo razão, mas uma vez era uma relação unilateral, que eu tinha que viver as coisas dela, mas ela não tinha o menor interesse em me descobrir.
Não sei se as minhas ex-namoradas ficaram arrependidas de terem terminado comigo, mas posso garantir que, mudei, sempre mudo e sempre vou mudar, e muitas deles já confirmaram isso e já me disseram, você mudou muito, queria que você tivesse sido assim quando estávamos juntos, mas agora não dá mais.

Sempre temos essas duas escolhas, avaliar nossos erros ou continuar da mesma forma, prefiro mudar, pensar e refletir, entender o que aconteceu, procurar as soluções e mudar, é mais fácil, jamais com essa de sou assim mesmo, quem quiser que me aceite, não de forma alguma, pois ninguém terminar uma relação sozinho, os dois são responsáveis. 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Um dia talvez...

Um dia talvez...

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.

Um dia talvez você encontrará alguém que possa ser seu. Alguém que te mande flores com um cartão cheio de carinho e poesia. Alguém que possa te acordar com um beijo no rosto e dizer bom pertinho do seu ouvido, bom dia!
            Um dia, quando o céu estiver claro e as estrelas lindas, você vai encontrar alguém para poder te abraçar e te beijar, alguém que possa dizer eu te amo, preciso de você, nunca me deixe só. Alguém que possa demonstrar carinho num sorriso, amor num aperto de mão, paz num olhar, ternura num abraço. Esse alguém, um dia será seu.

            Um amor só seu, um amor verdadeiro e sincero, meigo e simples, forte e romântico, sensível e austero. Um amor para você, um dia você encontrará. Alguém com quem você possa compartilhar o pôr do sol, a alegria de um simples sorvete, o prazer de uma caminhada num final de tarde.

            Alguém que te beije na chuva, que ponha você para dormir, que conte histórias interessantes, que faça você admirar as estrelas, que te traga uma simples rosa e diga: não tenho ouro nem prata, mas tudo que tenho eu vos dou.

            Alguém um dia, você vai encontrar, encontrar como quem encontra algo há muito tempo perdido e acha sem querer. Alguém que você possa chamar de seu e dizer sem medo: eu te amo. Alguém de um sorriso leve e gestos simples, de uma paixão verdadeira, romântica e eterna.

            Alguém que te faça rir quando você estiver chorando, que te dê a mão quando você estiver no chão, que faça o seu sofrimento ser menor do que parece, que transforme a sua tristeza em alegria.

            E, quando esse dia chegar, você não encontrará alguém, mas o amor da sua vida.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Quando olhar o outro é preciso

Quando olhar o outro é preciso

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.

Amar, dizem, é olhar juntos no mesmo no mesmo sentido, na mesma direção, pra o mesmo horizonte, desculpe-me, mas não é assim que funciona a coisa, permitam-me alterar a sentença e vociferar, amar é um olhar que se mantém um para o outro de compreensão, cumplicidade, entendimento, unicidade, amizade, aceitação, companheirismo, quando os dois se enxergam como tudo um todo, dentro de uma união, de uma só vida, de um único momento na mesma existência.

Esse tal olhar na mesma direção, pra o mesmo horizonte, dentro do mesmo sentido é muito individualizante, solitário e individualista, cada um que tenha o seu olhar, que se mantenha firme na sua postura e quem pode garantir mesmo que esse olhar direcionado tem o sentimento necessário pra se gostar e fazer renúncias e sofrer junto por querer, por amor, por paixão, por desejo? Sinceramente estou cansado de ouvir sempre as mesmas histórias, quero alguém que me ajude acrescer, que tenha vontade ganhar a vida. Penso que uma relação não seja só e apenas isso.

Dizem, é que a vida hoje é muito difícil, é preciso saber viver e quem vai querer alguém que não quer nada com vida? Esse nada é no sentido material, financeiro, progresso R$, como se agora todo mundo valesse apenas pelo que tem, pelo que poderá ter, conseguir, amealhar. Como se não, sempre foi assim e irá continuar. Com isso deixamos de admirar as pessoas pelo que elas são, pelos detalhes, a conversa, o sorriso, o jeito de ser, pequenos detalhes que nos prendem. Por que será que deixamos de gostar das pessoas ou pelo menos de dar prioridades a outras questões, como simpatia, caridade, fé, claro, gostamos de tudo isto, desde que se capitalize sobre. Tudo agora precisa dá lucro, gerar dinheiro, ter valor.

São sempre os mesmos discursos, sempre se ouve a mesmas coisas, quando alguém pergunta, por que você gostou de mim, o que vi em mim, e a gente responde sorrindo, dentro uma infantilidade universal, ah, eu vi que você era esforçada, queria subir na vida e eu queria alguém pra crescer comigo, num quero ninguém que me puxe ou me prenda. Esse é um pensamento legítimo, real, sincero, mas também demonstra o norteia os nossos valores e crenças, pois acreditamos que o dinheiro por nos salvar, nos livrar do mal, a infelicidade, do mundo.  

Mais uma vez peço permissão para mudar o conceito e afirmar, não gostaria de alguém pra ganhar dinheiro comigo e comprar coisas, ter coisas, gostaria de alguém pra sofrer comigo, chorar comigo, viver comigo, estar comigo, ao meu lado, pois quando afirmo que alguém deveria estar comigo, ao meu lado, só e apenas por conta do seu pensamento materialista, de produção e consumo, o que iria acontecer quando não mais isso fosse possível? Prefiro, e isso é um pensamento individual, alguém que me conheça, que tenha esse olhar pra mim e não para o horizonte, o sentido e a direção.

Claro, o meu olhar de volta, buscando-a, sentido-a, compartilhando as mesmas dores e alegrias. Hoje nos sentimos felizes apenas quando o nosso parceiro arruma um emprego, ganha dinheiro, compra algo, aí vamos comemorar e festeja, como se só fato de estarmos ali juntos vivendo não fosse por si só um motivo pra alegrar-se e festejar-se juntos e por amor. É que hoje o amor tem um preço, a vida é cara, e amar precisa de recursos, caso contrário, não se ama mais.

Quando falo nesse olhar um pra o outro, nesse entendimento, é a aceitação de outro, a cumplicidade de se aceitar o outro com os seus defeitos e amá-lo ainda assim e por si só. Quantos casais que vivem sob o mesmo teto, mas não sobre a mesma vida de união e sentimentos? Por conta desses olhares em busca de horizontes agora é cada um que cuide de si mesmo que procure a sua melhora, que pague as suas contas, que viva conforme a vida lhe aprouver.

            O mundo tornou-se muito individualista, egoísta, mesquinho e solitário, somos como ilhas, a pressão que recebemos todos os dias pra vencer, ganhar, ter, possuir, fazer, ter sucesso, fama, dinheiro, ser bonito, belo, pois fora destes parâmetros nada mais somos, ninguém irá nos gostar, amar, todos irão nos julgar não pelo que somos, seres humanos, mas pelo que podemos ganhar, ter e fazer. Também estou cansado de ouvir sempre os mesmos discursos, fulano é rico, beltrano ganhou milhões, sicrana está linda demais, sempre os mesmos valores, giramos em tornos desses sentimentos.

            Como um amigo me contou em tom de desabado: minha esposa não vive a minha vida, só pede o meu dinheiro. Ela não se importa com o meu trabalho, com o que eu faço, acha meus livros todos porcaria, acredito, disse ele, que ela nem sabe o meu signo, menos ainda se acredito em Deus ou não, mas sempre me cobra um emprego melhor, mais dinheiro. Burro fui quem não percebi esses sinais antes, esses traços da sua personalidade. Parece que vivemos isolados na mesma casa, poucos assuntos temos em comum, ela não gosta de ler, de cinema, das mesmas músicas que eu, claro, isso nunca foi empecilho para coisa alguma, nem pra se gostar de alguém, mas, confesso, é complicado viver com alguém que nem olha pra você e nem lhe admira pelo aquilo que você é e faz, é difícil não ser valorizado dentro da sua própria casa.

            Como disse, falta o olhar de lá pra cá e de cá pra lá. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Mulher só quer atenção, pois nada pode substituir a companhia de quem se ama, só acho

Mulher só quer atenção, pois nada pode substituir a companhia de quem se ama, só acho

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada. 

As feministas de plantão, as ativistas da liberdade irão me chamar de careta, mas vou manter minha posição e minha afirmação, mulher só precisa de atenção, carinho, cuidado, afeto e consideração, já diz a letra de uma canção cantada por Maria Bethânia, ”deixavas-me em casa, me trocando pela orgia, faltando sempre com a tua companhia, as joias que me davas, não tinham nenhum valor, se o mais caro me negavas, que era todo o seu amor”.

Nada pode substituir a companhia de quem se ama, se quer, se deseja, se gosta, nada.

Resolvi escrever esse texto depois de ouvir muitas garotas reclamando dos seus namorados, dos seus parceiros, mulheres casadas que reclamam dos seus maridos, mulheres que reclamam e reclamam dos homens, sempre da forma como são tratadas, esquecidas, ou melhor, trocadas por outras coisas. Os homens pensam que sexo, dinheiro e beleza resolvem e deixam uma mulher feliz pra sempre, daí o universo masculino criou o seguinte ditado, o que dinheiro, sexo e violência não resolver, nada mais resolve.

Foi o tempo que mulher se deixava prender por não ter como sair da situação, da relação, do casamento, isso não tem mais sentido, pena que nem todo homem conseguiu entende isso, ainda pensam conforma o século passado, ou pelo menos, querem pensar, agir da mesma forma, tratando uma mulher como um objeto, não de desejo, mas uma coisa descartável, como um bicho que não pode fugir nem tem como viver outra coisa.

E o pior é que não resolve. Tiro por um pequeno exemplo, sempre pergunto, por que as mulheres pintam as unhas dos pés? É, pois é, acredito que seja o último lugar onde um homem olha numa mulher, mas entendo por este detalhe, que as mulheres preferem os detalhes, querem a atenção dos homens, dão valor às pequenas coisas. É simples conquistar uma mulher, basta você ser atencioso, cuidadoso, saber elogiar quando preciso.

Mulheres não colocam brincos para deixar as orelhas mais próximas do chão, os homens precisam entender isso, mulheres não demoram por que pensam que o tempo e o mundo podem esperar, elas só querem ser bonitas, primeiro pra elas, depois pra outras e por último pra os homens. Elas só querem um “meu amor, você está linda hoje, tenho sorte por ter você ao meu lado”, um pouco de afeto e elogio, um pouco de amor verbal.

Isso mesmo, amor verbal, o amor, segundo a escritora e psicanalista Betty Milan, acontece nas palavras, ou são as palavras que contém o amor, mas de uma forma ou de outra, é preciso verbalizar o que se sente, contar, historiar, dizer, e os homens poucos entendem isso ou não querem entender, não gostam de DR, como dizem as meninas, discutir a relação, pois eles entendem isso como uma forma de fragilidade e não querem demonstrar isso, não querem atestar o que já se sabe, sim, somos todos frágeis como seres humanos.


Homens que não sabem conversar, ouvir, escutar, falar, argumentar, ser cordial, afetuoso e atencioso, pensam que a força ou a enderença resolve alguma coisa, mas só contribui para tonar uma mulher infeliz. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Só quero o que todo mundo quer e nada mais

Só quero o que todo mundo quer e nada mais
Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.
17/07/2013
Não vou mentir, morro de inveja de gente apaixonada, que anda de mãos dadas, gente que se ama e se quer bem, que se beija, se abraça e se adora, gente que posta foto na linha do tempo do Facebook e muda o status para relacionamento sério, gente que viaja com a namorada, gente que sorrir de forma boba e carinhosa com alguém do lado, admito, sinto inveja.

Sinto uma inveja danada de quem casa, faz festa, tira fotos, sinto inveja até das coisas mais simples, um casal de namorados tomando um sorvete, dois casais comendo uma pizza, meu coração chega a doer e chorar de tanta emoção, mas não é uma inveja má, é sadia, apenas vontade de fazer o que tudo mundo faz e vive.

Esse foi a conclusão que cheguei em conversa com meu amigo Batista Alves, o pensador, admitimos em conjunto que queremos a mesma coisa que todo mundo quer, amar e ser feliz, nada mais, nada menos. Até os mais revoltados precisam e querem alguém pra amar, pra escutá-los, ninguém suporta mesmo solidão. 

Ainda hoje pedi uma mulher em namoro, ela me perguntou, que tipo de namoro, eu disse sério, ué, ela me perguntou, sério como, desse de andar de mãos dadas, tirar foto e colocar no Facebook, marcar na rede que estamos nos relacionando seriamente? Sim, eu respondi, ela disse, então, tudo certo, vamos namorar.

Era o que eu precisa para começar a escrever esse texto, no fundo todos nós queremos um afeto, uma paixão louca, um romance, queremos viver uma vida a dois, sentir o prazer da felicidade, entender como é passar 50 anos com a mesma pessoa e ainda ter o que conversar, sorrir e gostar.

Ninguém quer nada de diferente não, as pessoas, nós, a gente, o mundo, todos queremos as mesmas coisas, leveza, simplicidade, amor, carinho, afeto, cuidado, gente pra conversar, namorar, viver coisas juntos, solidão é para os gênios, poetas, escritores, missionários, as gentes comum como eu e você precisamos de gente, de calor, de surpresa, presente, de beijo, abraço, de amor e paixão, nada mais, nada menos, apenas o que todo mundo quer.

E talvez queira mais, deixar bilhetes soltos pela casa, sempre quis fazer isso, pensei que era sozinho no mundo, mas depois de ler Carpinejar, vejo que é o mal de todo poeta, deixar seu sentimento preso num papel em algum e qualquer lugar, coisa boba, mas muito romântica, enfim, apenas quero extravasar os sentimentos que guardo latentes dentro de mim, viver essa paixão louca que guardo a ponto de estourar.

No fundo, só quero mesmo o que todo mundo quer, viver a plenitude de um amor eterno, gostoso, saudável e com a segurança de uma fruta mordida, como cantou Cazuza, nós dois no embalo da rede, matando a sede na saliva, ser tão pão, tua comida, todo amor que houver nessa vida....viva o poeta.


Quando gostar é muito pouco

Quando gostar é muito pouco
Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.
17/07/2013

Em termos de relacionamentos hoje começo a acreditar que gostar seja mesmo muito pouco, pouco até demais, para conviver, seguir em frente, suportar a estrada, renunciar, é preciso que haja mais coisas que tenham valor e sejam suficientes para que possamos nos deixar juntos ali ao lado de alguém.

Posso até ser radical e dizer, amar apenas também não basta, precisamos de mais, de afinidades, de desejo, paixão, cuidado, segurança, afeto, proteção, precisamos de diálogo, de nos sentirmos bem, me digam então, de que vale eu gostar de alguém, ser apaixonado, amar e essa pessoa não me dá a segurança de que eu preciso, o carinho, o cuidado? Vou sofrer mais do que viver as coisas boas que tenho pra sentir e viver.

Talvez por isso alguma pessoas dizem não acreditar numa segunda chance, em voltar o que um dia fico para trás, claro, a gente amadurece, muda, se transforma, algumas pessoas, não todas, eu quero acreditar que sim, pelo menos eu mudo, mas algumas pessoas que passaram pela minha vida ainda estão do mesmo jeito, me tratando da mesma forma, o que me faz pensar em, primeiro não me culpar, segundo não quero mais voltar, pois sei que irie viver o mesmo inferno outra vez.

Não quero apenas que alguém goste de mim, isso já tenho, quero mais e preciso de mais, de cuidado, segurança, afeto, paixão, afinidade, desejo, amizade, compreensão, entendimento, preciso de muitas coisas, amor e gostar, já tenho, mas isso nem sempre é o bastante, eu preciso também sentir mais do outro de mim pelo outro, preciso não apenas que ele me dê segurança, mais que eu sinta segurança também no que sinto, para que não venha a olhar para o lado, querer outras histórias e aventuras, ou seja, preciso talvez do impossível, mas do simples e fácil, mas a certeza mesmo é, gostar é muito pouco e nem sempre é o suficiente.

Preciso de alguém que eu admire, não de apenas gostar, mas que tenha fervor por ela, mas também que ela me admire e que me faça crescer junto, me incentive a escrever, ler, trabalhar, a fazer mestrado, e que eu por ela também possa fazer o mesmo, estar ali ao lado dela para levá-la a seguir a vida adiante com paz, segurança, liberdade e confiança, pois saberá que poderá contar comigo.  

Preciso de alguém que respeite as minhas lágrimas e entenda meus sorrisos, aceite meus cansaços e me olhe nos meus desânimos, preciso de alguém que espere eu falar e me oriente, não apenas me critique, que pense meus erros e não queira me deixar sozinho, como se ela não fosse errar jamais, quero alguém de quem eu goste, que ela me goste, mas que isso não seja o único motivo para nos manter juntos, preciso mais de mais, de integralidade.

Então, pois mais que a gente sofra, sinta saudade, dor, ausência, é preciso seguir em frente, as coisas irão passar, sempre passam e passarão cedo ou tarde, mas só não podemos querer repetir outra vez a mesma dor, isso jamais. Sei de pessoas que se perderam pelo caminho e um dia novamente tiveram a chance de se reencontrarem e viverem seus amores, só que agora mais amadurecidos, conscientes, calmos e leves pelas atrocidades que sofreram pela vida em outras relações.


O tempo é a nossa grande chave para curar as dores do tempo, caminhar e esperar, ter paciência e disciplina, viver o que precisa ser vivido e esperar pela vida e suas surpresas. 

Pegava geral, só que não

Pegava geral, só que não

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.
17/07/2013

É comum ouvir a frase, pagava geral, seja proferida por homens ou por mulher, e agora com a liberdade sexual, as mulheres estão mais soltas, livres e pegando mesmo, mas o fato é que, sempre que se vê um pedaço de carne com traços, digamos, para usar a linguagem comum, gostosos, ouvimos sempre a mesma frase, pegava geral, e acrescento, na mesma linguagem, só que não.

Posso até queimar minha língua ou minhas linhas, mas entendo hoje que o que vai me atrair numa mulher não é o que ela ostenta por fora, mas talvez sim o conjunto, ela pode ser bonita, mas isso não será tudo, ela poderá ser atraente, mas isso é pouco, ela poderá ser “gostosa”, mas isso não me dará felicidade, ela precisará de outros valores, cultuar outros sentimentos, outras afinidades.

Claro que isso é fruto de uma sociedade materialista, da imagem, sensualista, de culto ao corpo, as formas em detrimento de outros valores, por isso as pessoas são atraídas pelas formas, pelo sexo, pelo corpo, por aquilo que podem visualizar e não pelo que podem sentir, e esse sentir só virá depois e aí pronto, terá um preço.

Quantas pessoas conheço que após se relacionarem com alguém que achavam muito bonito ou bonita com o tempo perceberam que aquilo não era mais o mais importante? Se você acha um homem bonito ou uma mulher muito bonita, e acha que pagaria geral, deve estranhar ela ou ele sozinho, então, faça o seguinte, procure o ex, dele ou dela, e pergunte por que eles terminaram, você irá se surpreender e perceberá que beleza e corpo não significam tudo.

As histórias chegam ao infinito. Já conheci mulheres lindas e maravilhosas que meus amigos ficam babando, mas ela foi deixado pelos ex-marido, namorado, mas isso ninguém quer saber, só quer saber da beleza. Outro dia vi um amigo dizendo que pegaria geral uma mulher, e eu a conheço, e sei o que ela pensa, como se comporta, daí a necessidade de escrever sobre isso. Fiquei pensando na frase dele, pagaria com certeza, e fiquei pensando nela, pelo que a conheço, ela é realmente bonita, mas não me atrai em nenhum dos aspectos, por isso, afirmo, só que não.

Talvez tenha passado o tempo de ostentar pessoas, de querer “pegar” a gata mais bonita para desfilar em carro aberto pelas ruas da cidade, talvez hoje percebo e entendo que uma vida a dois é pra ser vivida dentro de uma intimidade e não em público, que a vida real é entre os dois e não com a plateia, pois muitas vezes você pode viver sorrindo para os outros, mas chorando com a sua companhia, isso acontece mais, mais do que imaginamos, por isso, isso de pegaria geral, acho que não, que são precisos outras coisas além de um corpo jovem e enxuto.



terça-feira, 16 de julho de 2013

Não vai rolar, não por enquanto

Não vai rolar, não por enquanto
Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.
16/07/2013

Não acho que coração seja igual a fila, entre um, logo vem o outro, e ele vai caminhando, seguindo, como se nada tivesse acontecido, não, não funciona assim, pelo menos comigo. Já escrevi sobre isso outro dia, não assim diretamente, mas ao me reportar a um caso de um amigo que terminou uma relação e logo entabulou outra e viu que num era a coisa certa a fazer pelo momento.

Se uma relação termina, e ninguém termina algo sozinho, alguém sentiu e alguém provocou, alguém se feriu e alguém cortou, o fato é que, quando algo se quebra, parte dos dois lados, a corda nunca arrebenta apenas de um lado, isso quando há sentimentos envolvidos e quando é assim é preciso parar e repensar muitas coisas.

Sei que a maioria das pessoas sente e tem medo de ficar sozinha, por isso a ansiedade de fazer a fila andar, mostrar pra o outro que está bem, feliz, com outra pessoa, isso é meio competitivo, mas tem um preço acredito, às vezes muito algo por se pagar.

Decidi ficar um tempo sozinho, eleger outras prioridades, arrumar a vida, me entregar aos livros, ao trabalho, me apaixonar pela vida sem que seja necessário está com outra pessoa, talvez seja um momento importante, pensar um pouco no próprio destino, no seu futuro, já que com outra pessoa você pensa sempre por ela, com ela, o que fará da vida ao lado dela.
Até entendo o que dizem, um amor, se cura com outro, mas num é bem por aí que a coisa funciona assim, pode até ser para outras pessoas, talvez comigo não, preciso me curar, me fortalecer, me pensar, refletir os erros, colocar as coisas no lugar, em ordem para quando me apaixonar bagunçar tudo outra vez, pois é assim que funciona.

Mas, porém, entretanto, gostaria de dizer, já pensei muito a respeito, e decidi comigo mesmo, não irei mais errar, não haverá mais outros relacionamentos na minha história, vida, será apenas agora o próximo e final, não irie cometer os mesmo erros, não andarei em ciclos, não me deixaria ser o mesmo do passado, cometer novamente os mesmo passos falsos, por isso é necessário me permitir esse tempo, para amadurecer dentro de mim os sentimentos, as decisões, as certezas, as minhas verdades.

Quanto ao amor do passado? Talvez a minha maior paixão até o momento, tínhamos livros, músicas, conversas, sonhos, viagens, cumplicidade, tínhamos afinidades, mas a vida é assim, as coisas terminam. Não a esquecerei jamais, a levarei comigo pra sempre, dentro de mim, no meu coração, não tenho raiva ou mágoa dela, entendo e aceito a sua decisão, como diz um amigo, ela decidiu, tá decidido, entendo que poderia ser diferente, pois como diz Carpinejar, o amor num pode ser como um contrato, que os nossos erros o tornem nulo, acredito em entendimento, diálogo, esforço, quando se realmente quer, eis o fator, querer, que acho que não houve, mas enfim.


Logo, estou no meu momento, ainda roendo as unhas, chorando pelos consultórios, na minha dor de cotovelo, que irie levar adiante até um dia ela findar, até lá vou cantar, chorar, lembrar, sentir saudade, mas ela vai passar, vai, pois o amor morre aos poucos por falta de cuidado, atenção, zelo, afeto, mas eis que, não acaba, morre, e tudo que morre se torna eterno, se eterniza, logo, jamais deixará de existir, mesmo não retornando mais ao que um dia foi. 

Homens pensam no presente, mulheres no futuro, simples assim

Homens pensam no presente, mulheres no futuro, simples assim
Ronaldo Magella

Já escrevi sobre o assunto, sobre a pressa que os homens têm e o fato de que eles, alguns, não suportarem a calma e a prudência das mulheres. Os homens realmente, pelo que vejo, não entendem as mulheres e o que elas querem e esperam, deveriam fazer um curso sobre de como ler e entender o que uma mulher faz e diz. Claro, tem delas que nem se entendem.

Mulher quando olha duas vezes pra você está querendo lhe dizer algo, quando ela chega, olha e vai embora, corre lá, ela quer lhe falar alguma coisa, mas está com medo da sua reação, ela olha, pensa, solta pistas, suspira, faz o maior arrodeio para poder enfim dizer o que ela quer e gostaria. Elas trabalham conspirando, adoro isso, esperando o momento certo para fazer a coisa certa, amadurecendo a ideia, sentindo o clima do momento. Os homens querem resolver logo ali, no agora, na hora a parada.
Isso é simples, nenhum gosta de ser rejeitado, não suporta a ideia que ele não agrada uma mulher, não satisfaz, por isso querem logo ser aprovados, fazer amor na primeira noite, beijar no primeiro encontro, realizar os seus desejos. Por isso muitos não passam do primeiro encontro e da primeira conversa.

Os homens não entendem as mulheres, pois trabalham com a perspectiva do presente, mulher trabalha pensando no futuro. Se todo homem entendesse isto, o mundo seria muito melhor. Não é toa que toda mulher começa a se preparar para uma festa, fazendo cabelo, unha, roupa, pela manhã cedo. Elas vivem antecipando as coisas, casamento, filhos, férias, lua de mel, planejam tudo, viagens, querem que tudo dê certo, fique perfeito, pois não vivem apenas para si, mas para as outras, querem matar as outras amigas de inveja. Quando o homem pensa em algo, a mulher já solta aquele sorriso e diz, eu penso em tudo meu amor, olha aí.
Então, os homens não entendem isso, são apressados, pouco se preocupam com o futuro e por isso não percebem e não compreendem certas atitudes da mulherada. Por exemplo, todo homem precisa entender certas coisas. Há um discurso que diz, todo homem é igual, cedo ou tarde ele irá trair. E todo mulher realmente acredita nisso que todo homem é um galinha e que não pode ver um poleiro. Logo, as mulheres são mais precavidas, prudentes quando o assunto é relação, isso claro, com as suas exceções.

Elas perguntam se fuma, bebe, se gosta de festa, se é ciumento, se faz isso ou aquilo, se o cara pensa em casar, ter filhos, o que espera dela, uma infindável série de perguntas que os homens, bobinhos, respondem pensando que é apenas para conhecê-los, mas é para formar um conceito a respeito e as respostas serão todas utilizadas no momento oportuno, podem acreditar nisso. Um belo dia ela chegará para você e dirá, mas você num me disse que num gostava disso? E você vai procurar saber de onde foi que ela tirou aquilo, pois você não se lembra do que disse no começo da relação naquela entrevista básica que pra você era apenas uma brincadeira.

No fundo as mulheres querem tudo de um homem, quando elas dizem, nunca vou me casar, quero apenas ficar com você e nada mais, não somos apenas amigos, não acredite, elas querem o contrário, sim, elas querem casar, sim eles querem você pra elas, sim querem mais do que amizade, mas querem mais, querem que você lute para mudar o pensamento delas, que você a veja com a única mulher do sistema solar e diga o contrário de tudo o que ela disse, meu amor, quero você comigo, não quero apenas ficar com você nem ter a sua amizade, quero o seu amor. É isso, elas querem ouvir isso, mas os homens desistem logo, não entendem e correm. Bobinhos.

Quando uma mulher, diz se estou atrapalhando você e tomando o seu tempo, ela quer apenas ouvir, assim como todo mundo, não, pode ficar, adoro conversar com você, fique mais um pouco. É assim que as coisas funcionam na cabeça de uma mulher. Pelo que venho observando elas querem alguém que as conquiste, que realmente mostre que está interessado, que a faça se sentir feliz e especial, e isso requer tempo e paciência, logo, é preciso ir comendo pelas beiradas, feito papa ou sopa, como calma.
É isso, pra entender uma mulher, só precisa disto, calma e paciência.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quando o futuro não promete, retornamos ao passado

Quando o futuro não promete, retornamos ao passado
Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada.
15/07/2013

Uma amiga acabou se separar-se do marido, chegou ao fim o seu casamento, e pelo que me conta fazem dois meses, assim ela me conta, não sei se é mesmo verdade, o que sei é que ela está investindo em mim sem muito pudor, confesso, tivemos alguns encontros no passado, não passamos de dois ou três no máximo, foram apenas momentos rápidos e sem muitos sentimentos e perspectivas, mas ela me confessou que tinha sido do seu melhor “affer”, difícil saber, mas enfim, é a palavra dela, prefiro não acreditar, tenho meus motivos.

A sensação que tenho ou tive é que, quando as coisas não dão certo no presente ou quando o futuro não é promissor nós temos uma leve tendência em retornar ao passado, em voltar para aquilo que já conhecemos, talvez minha amiga esteja fazendo isso, mas num quer dizer que ela goste de mim ou sinta algo, apenas está sentindo o que todo mundo sente, insegurança de ir em busca do novo, do inédito, talvez por isso tenha vindo se insinuar para mim, pelo conhecido, experimentado.

E claro, lhe disse que não estou muito com desejo de curar feridas ou de fazer curativos que mais tarde tenha que retirar os pontos, não, não vou ser usado para ela curar suas mágoas e feridas, sei o que ela sente, já senti o mesmo, quantas vezes as coisas não deram certo e logo pensei em voltar para alguém que já conheci, para alguém que eu sei ou sabia que poderia me acolher, isso acontece com todo mundo, é natural.
Nós sempre teremos essa tendência de retornar ao que nos faz seguro ou ao que nos permitirá essa segurança, mas é só a gente pensar um pouco pra perceber que esse desejo não é mesmo forte o bastante para nos motivar a ir mesmo até o fim, claro, em alguns caso até pode ser, mas em muitos não, é apenas um sentimento de carência e solidão. Um amigo que perdeu a namorada há pouco tempo e fez a mesma coisa, como ele me contou, buscou refúgio no amor do passado, na primeira namorada, em alguém que ele já conhecia.

E por que não ir de encontro ao novo? Penso, talvez, não sei, por insegurança, não é fácil começar uma nova relação, se entregar, ter que conhecer outra pessoa, ir fundo, contar-se, abrir-se, e depois de certa idade, ficamos mais cautelosos, prudentes, pisamos com um pé atrás, vamos e voltamos muitas vezes, analisamos demais, pensamos muito e muitas vezes desistimos antes de começar.

E por fim, ainda disse a minha amiga, olha, dá um tempo, segura a onda, é cedo para começar a se envolver com outra pessoa, dois meses ainda é muito pouco, você poderá voltar com ele, se não agora, talvez mais tarde, e pode assim ferir ou magoar outra pessoa, ela me disse que não estava morta, até a entendo, mas confesso e tenho que dizer a ela que, para esse tipo de situação me faço de morto.


A prudência nessas horas pede que você tenha calma e analise melhor as situações, não se deixe em envolver pelos desejos e instintos, pois quem pode sair ferido é você. 

domingo, 14 de julho de 2013

A gente não quer muito de quem a gente ama

A gente não quer muito de quem a gente ama
Autor: Ronaldo Magella – jornalista, professor, poeta, escritor, radialista...
 A gente não quer muito de quem a gente ama, gosta, a gente quer pouco, quer um beijo, um abraço, um cheiro, uma ligação, uma atenção qualquer que seja, pois a gente já gosta de tudo de quem a gente ama, gosta do cheiro, do cabelo, do sorriso, do jeito, do andar, da conversa, do olhar, do sorriso, a gente quer atenção, pois a nossa atenção já está com quem a gente ama, com quem gostamos, por quem estamos apaixonados.

Não é uma cobrança, mas uma forma de manter o amor vivo, a chama da paixão acesa, o sentimento pulsando, a sensação gostosa de que vale mesmo a pena continuar querendo, desejando, gostando, vivendo, sentindo, se dando, pois já gostamos por gostar, de graça, pelo sentimento de fazer bem, já nos deixa feliz, e nos proporciona sorrisos e gargalhadas.

A gente gosta e gosta de cada detalhe, sempre de tudo, das cenas, dos momentos, das reações, repara na língua, na mordida da língua, na mão que treme, no olhar que desvia, na cara de bobo, recorda cada frase, cada palavra, processa na mente, traz a lembrança mil vezes, inúmeras, pois gostar é ter o outro dentro, internalizar o outro, viver o outro em nós, dentro de nós, como parte nossa, da nossa vida, do nosso existir.

Não há explicação, motivo ou razão para o gostar, para a paixão, para sentirmos algo por alguém, ela acontece, vive, surge, toma-nos de conta, amadurece em nós. Difícil é o outro acreditar que sentimos algo desde o primeiro momento, já ali no olhar, ao colocar os olhos em cima, ao sentirmos o cheiro, o rumos dos passos, ao repararmos no jeito, na cor, pronto, aconteceu. Mas ninguém pode nos impedir de sentir, de pensar, de querer, a pessoa pode não querer, não devolver o mesmo interesse, mas isso não irá matar o que sentimos, pode frear, bloquear, anular, mas nunca fazer desaparecer.

Por que é a gente quem gosta, é a gente quem sente, quer, não podem nos impedir de sonhar, podem nos prender o corpo, negar o beijo, o prazer, o toque, o abraço, o sentimento jamais podem nos obrigar a deixar de sentir.

Sei que parece bobo e muitas vezes essa nossa linda bobagem não é entendida, as pessoas não sabem respeitar e apreciar. É bonito o gostar, você parar e pensar, poxa, alguém gosta de mim, pensa em mim, me escreve, me diz coisas e eu o que faço com tudo isso? Nunca pensamos sobre essas coisas, pois estamos mais interessados no que queremos ou não e não no que os outros querem.

Não, não é preciso saber o que fazer, mas é preciso saber viver, deixar o sentimento acontecer, viver o momento, a hora, o instante, pois tudo passa, tudo um dia acaba, pra sempre nunca é pra sempre, é pra sempre enquanto durar, quando acontece, quando existe, se vive, se sente.

Não medida para a paixão, para o gostar, para o querer, muitas vezes perdemos o viver por pensar demais, por esperar demais, certas e muitas coisas da vida não podem ser pensadas, precisam apenas ser vividas e sentidas, mas isso não cabe a quem escreve, pensa ou fala, mas quem irá sentir e viver, ou seja, o resto é com você. 
(estou em dúvidas se esse texto é meu, se num for, peço desculpas)


Náufragos da vida

Náufragos da vida
Ronaldo Magella

            Tem um momento na sua vida, chamaria alheatoriamente de um instante de ruptura, quando se quebram os laços e quando você precisa se reconstruir, quando você está à deriva, perdido, no escuro, sozinho, no meio do nada, sem ninguém e muitas vezes até sem você mesmo. É um momento de reencontro íntimo com a sua própria natureza e com as suas verdades. É o mesmo que estar numa ilha deserta tendo de conviver consigo mesmo, se aceitando e se conhecendo. Nossos defeitos, ouvir dizer, não escolhemos, mas temos que aprender a suportá-los, pois eles fazem parte do que somos.

            A gente vive no piloto automático durante boa parte da nossa vida até soar o alarme, algo começa a não acontecer conforme a gente esperava e tudo muda, as coisas viram pelo avesso, do avesso, do avesso, você fica sem chão, sem destino, sem caminho, olha em volta e nada, procura algo pra atrás e nada, olha adiante e nada, tudo é meio sem sentido, tediosos, fastioso. Você agora, já que antes vivia por viver, agora precisa desligar o automático e começar a guiar o seu próprio destino, fazer escolhas, tomar decisões, não que antes elas não fossem sido feitas, mas é que agora a prudência será maior, haverá mais parcimônia, uma cautela maior.

            Difícil mesmo é você se aceitar como imperfeito. Quando você erra torna-se juiz, algo e vítima de si mesmo. Você já está sofrendo pelo erro, por ter fracassado, e agora se culpa, se critica e se martiriza por tudo, em um só momento, erra, julga-se e aplica-se a correção. Chora, não dorme, não come, não vive, perde o interesse pelo mundo e o mundo por você, mas o pior é pensar que tudo poderia ter sido evitado de forma simples e prática, sabiamente.

            O que dizem é verdade e se comprova, um sábio é aquele que busca antecipar o futuro através das decisões e escolhas que está para tomar, seguir, caminhar, não que ele seja um vidente, mas certamente deva ter em mente, através de um momento de incursão e reflexão, que certos atos, hábitos e atitudes têm necessárias conseqüências complicadoras e atrozes da realidades. E não se precisa ser um gênio para fazer certas análises e ponderações. E quando isso não acontece, você naufraga, perde-se e torna-se tudo menos quem você sempre foi, agora é outra coisa, uma mutação, está numa transformação.


            Esse processo de mudança e reconstrução é um momento, como se diz no título, de naufrágio, você está perdido e precisa urgentemente ser salvo, sozinho com os seus pensamentos e sentimentos, tentando se agarrar a tudo e a todos, a qualquer ponta de ilusão, a qualquer miragem, algo que lhe motive a viver mais um dia. Um filme, o trabalho, uma canção, uma música, uma frase, tudo pode mudar a sua vida, tudo. 

Sou aquilo que me falta

Sou aquilo que me falta
Ronaldo Magella

Não sou o que tenho, mas a falta, sou as buscas, estou naquilo que procuro, no infinito, não no horizonte, não sou aqui, estou além, não sou o daqui, mas o que vem de lá. Não sou o que vejo, mas aquilo que não percebo, nem o que sei, mas as minhas ignorâncias, não me tenho em forma no que entendo, mas vivo naquilo que não posso compreender, não sou minhas respostas, mas as minhas perguntas, não sou as lágrimas que choro, mas as razões delas brotarem dos meus olhos.

Sou minhas ausências, minhas angústias, minha dúvidas, meus silêncios, meus medos, meus escuros, meu erros, minhas dores, minhas guerras, pois não sou a paz que procuro, mas as batalhas nas quais morro para poder enfim encontrar a paz. não estou no que vivo, mas no que deixo de viver, ali está as minhas partes, nem sou o que sinto, mas o que nunca senti, sou e serei sempre um eterno vir a ser, não sou completo, sou incompletude do sempre.

Sou o medo, a dor, a solidão, sou tudo e estou em tudo que pode me revelar, me descortinar, abrir, não sou o que falo, mas o que silencio, não o que mostro, mas o que escondo, guardo, prendo, enterro. Estou onde não posso ser visto, não sou a presença minha de mim em mim, mas a minha invisível ausência, o sentimento que perde no o lugar que não encontro, a rua que não passo, a vida que não vivo, o desejo que não cumpro, a esperança que perdi, não tive, deixei para lá.

Sou o amor que não tive, a paixão que nunca vivi, o beijo de amor que nunca dei, a fantasia real, a mão que jamais esteve na minha, no meu corpo, no meu rosto. Não sou o final, mas o que virá após o final, a ilusão da realidade, a realidade morta, o que não pode ser real, não sou o que penso, talvez o que ainda hei de pensar, não sou o que sou, mas as mudanças que terei que sofrer e pela vida viver.


Sou o que perco, esqueço, não o que lembro, acho, tenho, mas a falta minha das coisas em mim, sou sempre o que virá, o amanhã, o que está para acontecer, não sou o presente, o passado, mas uma brecha do futuro, a opacidade das coisas, a transparência da vida, a água sem cor, cheiro, sabor. Não sou o que pensam de mim, mas tudo aquilo que jamais pensaram, não sou as ideias prontas e acabadas, nem o produto finalizado, mas a construção das coisas, o processo da vida. 

Amor e razão, amor sem razão, racionalizar sem amar

Amor e razão, amor sem razão, racionalizar sem amar
Ronaldo Magella

Para acreditar em amor é preciso perder a razão, para amar é necessário iludir-se. No mundo em que vivemos a razão tomou conta as nossas emoções, perdemos o sentido da paixão e do amor, da loucura, do sentir, deixamos de viver as coisas impossíveis de sentir por coisas práticas para viver.

            Amor, paixão, desejo, vontade, querer, foge a racionalidade prática da vida, gostamos e queremos, nos apaixonamos e amamos sem que isso faça algum sentido pra nós, pra qualquer um de nós, e um dia quando começamos a analisar demais as coisas que sentimos, saímos e deixamos de sentir e passamos a calcular.

            Como uma palavra que repetimos em nossa mente exaustivamente até ela perder o sentido. O amor, a paixão, quando analisada, consumida em nossa mente, dentro de nós, também perderá o sentido, ora se, pois se a gente vai gostar de quem não gosta de nós, de quem num presta, de quem nem bonito é?

            Analisar e calcular o que você sente por alguém devido ao quanto ele lhe serve ou por quanto o outro ganha ou pelo que o outro faz, ou pelo que o outro tem, ou mais ainda, pela comodidade do tipo, dá certo, num dá, pode ser num pode, é bom, num é, é o mesmo que sentir se apenas o outro sentir, mas isso jogaria por baixo e poria por fim a teoria de que, a gente não manda no coração, nos sentimentos, em quem vamos amar, nos apaixonar.

            Certo, tudo bem, lindo, podemos até não mandar em nosso coração e de quem vamos gostar, mas podemos escolher com quem ficar, sufocar a nós mesmos e fazer escolhas práticas e insensíveis.


            O amor, a paixão, não é o que posso, mas o que quero, quando digo, é o que posso, deixa de ser paixão, para se tornar objeto. O amor, a paixão rompe o poder, a distância, a dificuldade, pois está no campo do querer, do desejo, e quem quer, deseja, a tudo pode, pois isso é o que realmente se quer. 

Simples e inocente, apenas quero ser

Simples e inocente
Ronaldo Magella

O tempo passou e fiquei chato, talvez alguns até digam, antes do tempo, envelheci antes da hora, da idade chegar, do momento certo. Até pensei em começar este texto dizendo que havia amadurecido com as escolhas que fiz na vida, com os erros, com as lágrimas derramadas, com o suor escorrido, mas dizer-me amadurecido, melhor, mais experiente soaria muito vaidoso e pretensioso, melhor mesmo me definir com chato e descolado da realidade.

Hoje passei o dia nessa busca interior, nas minhas reflexões íntimas, buscando minhas respostas e fazendo minhas perguntas, o que fiz, por onde andei, qual caminho estou a seguir, mas a única conclusão que pude chegar é que, não sou mais o mesmo, mudei e mudo, em cada livro, nas músicas, nos filmes, nos textos, na escrita, sempre estou procurando me encontrar e ao saber-me de mim necessariamente tenho que mudar, deixar de ser quem sou para me tornar outro, não sei se melhor, mas, penso, talvez, mas consciente.

 Não suporto mais convenções sociais, sorrisos forçados e alegrias ligeiras e infantis, vivo no mundo sem ser do mundo, estou preso e como um prisioneiro busco a minha liberdade, cumprir minha pena, pegar pelos meus erros, sofrer a minha própria tragédia e caminhar de volta ao começo, e, o começo é a simplicidade, o início é a inocência. É isso, quero e almejo ser simples, ser inocente, poder e conseguir olhar para qualquer pessoa sem fazer julgamento ou aferição, sem culpar ou ferir, apontar ou violentar, desejar ou oprimir.

Não saberia dizer se isto é bom ou ruim, se é normal ou estranho, sei apenas que faz parte de mim. Até chego a pensar que o pensamento, a reflexão que se abre em torno de si mesmo é uma sina, uma cruz, um peso, pois se está a todo o momento interrogando-se, querendo-se, procurando saber-se quem se é, por que se vive assim, pensa-se desta ou daquela forma, e nem sempre pensar, esse pensar, o pensar-se, buscar-se, refletir-se é algo prazeroso.

Você pensa e muda sua relação com o mundo, com as pessoas, tenta se colocar no lugar do outro, investigar todos os ângulos possíveis, todas as formas concretas e reais que a sua mente pode enxergar. Devo admitir que nem sempre é bom, suave e simples, traz muita angustia, medo e solidão. Já até pensei em querer ser normal, igual, comum, como todos, viver o lado simples de tudo, juntar-me ao todo, mas talvez seja algo do qual não posso fugir, ser o que sou, pensar o que penso, é um peso que tenho que carregar.

A verdade é que você muda, muda e fica cada vez mais sozinho, uma solidão existencial, íntima, interior, individual. Vamos assim vivendo e ficando mais chatos e intolerantes, já não suporto alegrias menores ou baratas, sexo grátis sem amor ou beijo sem paixão, abraço sem carinho ou afeto sem sentimento, as coisas agora precisam ter um sentido, uma razão, um motivo, não para o mundo, mas pelo menos para mim, não preciso do sentido do mundo, nem das pessoas, cada um que busca o seu motivo real e sincero para continuar.

Até penso em coisas, pessoas, momentos, histórias, mas desisto, de tento pensar penso que não vale mesmo a pena tentar, percebo que é apenas mais um momento passageiro e comum, vazio e inútil.
Verdade também que tornei-me mais pessimista e seco, árido e descrente, não acho mais que possa ainda um dia novamente me apaixonar ou que venha a acreditar em amor, que possa gostar de alguém, que escreva versos de amor e cartas de paixão, não sei se ainda será possível, mas não me olhem com olhares tortos, nunca quis ser assim, o mundo, a vida, as pessoas, os afetos, os erros, as escolhas me tornaram assim.

Confesso que esboço reações, invento desculpas, tenho minhas crises de esperança e euforia, mas só preciso mesmo olhar ao meu redor e perceber o quanto o mundo é mesquinho e egoísta, orgulhoso e indiferente e volto novamente a ser e pensar o que sou e como sou, o que sinto e imagino.

Minha luta maior é comigo mesmo, não quero vencer o mundo, mas mudar-me e vencer-me, viver aquilo que acredito, conforme li certa feita e carrego comigo a frase, a qual diz, viver é comprometer-se com aquilo que você acredita, e isso muitas vezes, devo admitir, me falta, não tenho coragem, ânimo ou vontade, sou fraco e frágil, mas tenho pulso para outras coisas menos importantes e me culpo por isso.


Mas, pensando ainda e por fim, a vida é assim mesmo, não somos livres, nem nossas escolhas são totalmente nossas, somos o que somos e assim seremos. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Saudades do que não tive e do que senti

Saudades do que não tive e do que senti
Ronaldo Magella

Só dá pra sentir dois tipos de saudades, uma, das coisas que você viveu, a outra, das coisas que você nunca teve, viveu ou sentiu na vida, de uma forma ou de outro, saudade é sempre falta, ausência, desejo de fazer outra vez ou de viver pra saber como poderia ter sido.

Todo mundo tem saudades do que não teve, é uma forma de compensação, a gente não teve, não tem, talvez tenha, mas num sabe, resta sentir saudade, como diz a letra da canção, é melhor do que caminhar sozinho. Saudade às vezes pesa, magoa, dói, outra vezes nos encoraja, nos fortalece, é estranho. Dói quando passou e não dá mais pra voltar, anima quando ainda não sentimos e queremos viver a todo custo.

Todo mundo tem saudades de um amor que nunca amou, de um tempo que nunca chega, de um cheiro que não sabe definir, mas que é gostoso e nos faz voar pela imaginação, saudade de um tempo bom, saudades de uma vida melhor, saudades da felicidade, saudade de alguma coisa que a gente sabe nem dizer o que seja, foi ou será, apenas sentimos.

Tem dias que você deita na cama, fecha os olhos e fica olhando a esmo e pensando, pensando, suspira e sorrir, chora, se enche de saudade e pronto, nada mais, saudade é isso, é o nada, quando é saudade do que passou, você reclama, quando é saudade do que você nunca teve, você só pode sonhar.
Você nunca sabe que os melhores tempos da sua vida são esses que você está vivendo agora, só mais tarde é que você vai perceber isso e pensar, eu devia ter vivido mais aquele período. Sempre disse aos meus alunos, fui um professor meio Sociedade dos poetas mortos, claro, morri, mas enfim, sempre disse aos meninos, gente aproveitem a vida de vocês, vivam, sintam, façam o que vocês acharem que devem fazer.
A vida passa muito rápida e só ficaremos com as saudades, as lembranças, a sensação de ter vivido e lamentação de não ter saboreado o momento. Passa muito rápido, quando você pensa, já passou, quando você lembra, só ficou a saudade.


Saudade não morre, é ela quem nos mantêm vivos, ou para nos lembrar quem somos, o que fomos, o que podemos ainda fazer, para lembrar que erramos ou que podemos acertar, pra dizer que fomos felizes mas também para dizer que não somos perfeitos. 

O Facebook e o nosso desabafo diário

O Facebook e o nosso desabafo diário
Ronaldo Magella (autor – jornalista, professor, escritor, poeta...)

O diário era algo íntimo, era, uma vez que ninguém mais o usa. Dos diários passamos aos blogs, assim como dos jornais pulamos aos sites, dos orelhões aos celulares, dos álbuns de fotografias vistos em casa por amigos e familiares, passamos aos álbuns digitais vistos por centenas de desconhecidos, destruindo assim aquilo chamávamos de privacidade.

Pronto, a modernidade não comporta segredos, somos vistos e vemos, assistidos e assistimos, ouvimos e somos ouvidos, a única certeza que temos é que tudo deve ser publicado.

E publicamos, nossas fotos, pensamentos, imagens, sentimentos, jogamos tudo nas redes sociais, fazemos delas o nosso desabafo diário, nos entregamos a censura alheia, assim como a aprovação, a curtição, o compartilhamento, alguém gosta, comenta, curte, espalha, somos assim jogados ainda mais nesse imenso universo digital desconhecido, sem saber as consequências.

A privacidade chegou ao fim. Não, não foi hoje, ou ontem, faz já algum tempo, desde o momento em que começamos a ouvir as pessoas nas ruas em seus celulares, escutar suas conversas, ouvir o que dizem, seja na rua, nos ônibus, nos bancos, começamos sem querer, querendo, fazer parte da vida de outros. A cada  dia que se passa passamos a saber mais da vida de outros, o que fazem, deixam de fazer, se estão sofrendo ou morrendo, se morrem, se vivem, estamos tudo numa imensa vitrine.

É interessante esse conceito de vitrine, uma vez que estamos cada vez mais expostos e nos expondo, como se estivéssemos à venda para que os outros pudessem comprar nossas ideias, nossos desabafos diários. Impossível não mais não nos deixamos de nos mostrar, queremos e ansiosamente pedimos por isso, pois nos importamos mais com o que os outros vão comentar do que com o que sentimos.

Queremos mostrar, publicar, terminamos um relacionamento, quem primeiro sabe da nossa vida são as outras pessoas, nossos amigos do Facebook, primeiro até do que nossos amigos e familiares, tamanha é a nossa vontade de se mostrar ao mundo. Queremos antes e primeiro mais do que tudo a atenção alheia do que o sentir nosso das coisas.

Ainda sou do tempo de chorar no quarto, se trancar e sofrer sozinho, mas isso não existe mais, é mesmo melhor chorar na frente do Facebook com vários amigos desconhecidos, pelo menos eles estarão curtindo e comentando a nossa dor, aquela história de sofrimento solitário já era, agora ele é compartilhado.