quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Deixa

Deixa

Ronaldo Magella 29/10/2015

Deixa eu beber sua saliva e me esconder em seus braços, deixa eu me esquecer em você e segurar suas mãos, viajar em você, velejar no teu corpo, te possuir e te segurar firme, deixa eu te olhar nos olhos e te arrancar um sorriso, deixa eu te falar ao ouvido e te beijar os lábios, te provocar arrepios, te morder e te desafiar, deixa eu tirar sua blusa e passear pelo teu corpo, visitar teus segredos e ouvir teus suspiros, deixa eu te arrancar prazer e soltar suas fantasias, deixa eu ir até onde ninguém chegou e lá ficar, lá amar, lá...., enquanto você delira e sonha acordada, deixa eu achar o seu ponto e desatar os seus nervos, deixar você trêmula e sensível, deixa eu ouvir seus palavrões quando seu desejo for expulso de você, ouvir o teu corpo cantar e vibrar de tesão, deixa eu entrar devagar enquanto você me abraça forte e me beija gostoso, deixa eu apertar você enquanto você me arranha, deixa eu tocar suas nuances enquanto se contorce, deixa, apenas deixa, deixa, deixa, deixa, deixa, deixa, deixa.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Separar dói

Separar dói

Ronaldo Magella 28/10/2015

Toda separação causa dor.
Para quem vai, para quem fica.
Separar dói, não importa, dói.
Dói pra quem ainda ama, dói pra quem deixou de amar.
Dói pra quem vai, dói pra quem ficar.
Separar é perceber o fracasso.
Alguém que amou demais, alguém que gostou de menos.
Alguém que precisa de liberdade, alguém que quer continuar preso.
Ir dói, ficar dói.
Dói dizer que não dá mais, dói insistir que se pode continuar.
Dói não tentar mais, dói deixar de tentar.
Dói saber que já se tentou, dói saber que tentar não irá melhorar
Dói saber que acabou, o sentimento morreu, envelheceu
Dói juntar os pedaços e guardar as lembranças
Dói sentir a dor do outro, dói sentir o próprio fracasso.
Dói saber que se mudou, dói saber que ainda se é o mesmo.
Dói sentir falta, dói se arrepender
Dói não querer voltar, dói não saber voltar.
Dói a solidão, dói a companhia.
Dói o tempo que se perdeu, dói o que tempo que se ficou
Dói a vida que se deixa, dói a vida que se perde
A vida que não se terá mais.
Separar é atestar o fracasso do amor.
O erro da paixão.
É percebe o que antes não percebíamos.
E isso dói.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

O que se tem não se deseja

O que se tem não se deseja

Ronaldo Magella 27/10/2015

O desejo nasce da falta.
É o que  falta que  provoca o querer
Se tenho, não preciso mais
Desejo o que não possuo
O que se tem se cuida
Se guarda
Se conserva
Quero apenas o que não tenho
Chega um momento que é preciso sair de cena
Provocar saudades
Oferecer ausência
Deixar o vazio
Cometer a falta e não pedir desculpas
Entrar e fechar a porta
Ir sem avisar
Ficar sem ser percebibo
Provar e mostrar que se pode viver sem ela
A máxima, é preciso perder para encontrar
É real e verdadeira
É triste, mas é real
Valor se dá a quem valor se tem
Ninguém procura pelo que já tem
Recolha os cacos
Junte as peças
Siga o fuxo
Deixe a vida acontecer

Deixa você acontecer pra vida

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Coragem

Coragem

Ronaldo Magella 26/10/2015

Coragem é sentir saudade e arriscar dizer.
É sentir falta e procurar.
É dizer te amo,
 Ligar do nada só pra ouvir a voz do outro lado
É se entregar e sentir a paixão
É ter medo e não desistir
É sonhar e persistir
Coragem é gostar de alguém
É ter sentimentos
É pedir desculpas
É sorrir sozinho
É sofrer em silêncio
É amar
É pedir pra voltar
É desistir
É continuar
Coragem é fazer elogios
É ser fiel
É não ter medo
É ser seguro e inseguro
É ficar louco e fingir ser normal
Ou ser normal e fingir-se de louco
Coragem é querer ser feliz
É apostar no amor
É amar e querer bem
É chorar de vontade
É sofrer com a ausência
É sentir a falta
Coragem é precisar de alguém
É ser sozinho
É não querer ninguém
É sonhar acordado
É reconhecer que errou
É pedir perdão
É ser indiferente
É se importar com tudo
É não ligar pra nada
É coragem é mandar flores
É fazer carinho
È chorar de emoção
É sofrer de dor
É cair na tentação
É conter a tentação
É enviar esse texto pra você
Coragem é ainda gostar de você
É pensar em você
É ficar imaginando você
É ter esperança de um dia você voltar
Coragem é te ver feliz
É saber que você já não se importa
É aceitar que tudo terminou
É seguir sem você
É viver sem você
Coragem, coragem


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Precisamos de alguém

Precisamos de alguém
Ronaldo Magella

Uma amiga reclama da solidão, diz que já faz um bom tempo que não conhece alguém interessante, vive apenas do trabalho e disso extrai um motivo para viver e ser feliz.

 A vida podia ser assim, poderíamos substituir coisas por coisas, sentimentos por sentimentos, emoções por emoções, dor por dor, mas não funciona assim.

Longe, agora bem longe mesmo, esse discurso que solidão se cura com trabalho, com caridade, com qualquer outra coisa, isso é mentira, solidão se cura com companhia.

Nada irá nos substituir o afeto, o carinho, o amor, a amizade, o contato, o ter alguém para cuidarmos e para cuidar de nós. Podemos ter dinheiro, fama, poder, um bom emprego, um trabalho bom, uma multidão de gente ao nosso redor, mas se já não temos alguém, parece que somos vazios.

Precisamos de alguém para contar as nossas coisas, coisas bobas mesmo do nosso dia a dia, alguém para desabafarmos no final de um dia cansativo, alguém para nos fazer uma surpresa, alguém para nos acordar, alguém até mesmo para nos fazer raiva.

Não é carência, melindre, fuga, besteira, é necessidade, é precisão, é uma forma de nos completarmos. Muitas vezes nós inflamos o nosso ego, somos os melhores, ficamos e fazemos amor com vários e várias, vamos as festas, somos os reis e rainhas da noite, aproveitamos a juventude, a idade, a força e o vigor que a vida nos deu a oportunidade para desfrutar, mas fundo somos completamente sozinhos, solitários, vazios, falta um sentido, um algo maior, no fundo mesmo, falta alguém para nos preencher e para nós também o completarmos.

Vamos passando, ficando, transando, conhecendo pessoas, mas não estamos construindo sentimentos, laços, afeto, lembranças. Nós só conhecemos as pessoas quando delas e com elas aprendemos alguma coisa, quando dela nos restar uma lembrança, uma saudade, até mesmo uma mágoa, relacionamento superficiais e descartáveis não nos permitem isso.

Dentro de cada um de nós pulsa a necessidade de outro, de fazer um outro feliz e de nos completarmos e nos realizarmos com essa felicidade alheia mas que é produzida por nós, construída por nós, e que é uma via de mão dupla, damos e recebemos.

Mesmo sabendo que ninguém é de ninguém, que as pessoas são livres, fazem o que bem entendem, mas nós queremos mesmo alguém pra nós, pra amar, pra sentir, pra cuidar, pra viver.

Não digam, você tem seus amigos, amigas, sua família, muita gente que gosta de você, é tudo verdade, mas ainda e mesmo assim, queremos alguém. Podemos nos esconder durante algum tempo sob esses discursos, do trabalho, dos amigos, da família, da caridade, de muitas e diversas coisas, mas chegará o momento que estaremos sozinhos conosco, todos irão procurar seus colos, seus aconchegos, seus dengos e ficamos nós, sós, a ver navios.

Sim, nós queremos alguém e vamos encontrar, mas não queremos o castigo de ter alguém por ter, pra dizer que se tem, um amor de mentira, queremos um sentimento de verdade, mesmo com crises, com brigas, com diferenças, mas que haja no bojo de tudo isso a sincera vontade de amar e superar as dificuldades, de ser eterno, não enquanto dure, mas pra sempre.

Sim, verdade, queremos alguém, pois como me diz uma outra amiga, um dia, um dia qualquer, mas que haverá de chegar, um dia finalmente descobriremos que não nos bastamos a nós mesmos. Fim.
                      


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Pessoas, paixões, medos, dúvidas, insegurança, amor, vida

Pessoas, paixões, medos, dúvidas, insegurança, amor, vida

Ronaldo Magella 20/10/2015

No amor não sei o que causa mais estrago, se as dúvidas, a insegurança, a distância, o medo ou a proximidade de novas pessoas que podem muitas vezes despertar novos sentimentos, até então, inéditos, ou, cansados.

As relações cansam, sofrem com o prazo de validade, envelhecem, muitas morrem para renascer, outras morrem para nunca mais, há aquelas que resistem ao tempo, ao fado, lutam, crescem, seguem.

A nossa época moderna não suporta amores eternos, Romeu e Julieta jamais seria escrita no século XXI, nem Tristão e Isolda, ninguém mais morre de amor, nem se sofre, se troca de pessoas, se muda, não se luta mais por alguém, se troca de alguém, de pessoas, simples assim, como mudamos de coisas, objetos, celulares.

O passado é um lugar seguro, já escrevi sobre isso, era fácil viver antes, éramos conformados, poucas opções, éramos feliz com pouco, com menos, com a nossa paixão da esquina, o nosso mundo é menor e mais limitado, agora a vida está online e tudo e todos estão disponíveis, agora tudo é fácil, frágil e inseguro, não há segurança de nada, não se confia nem em si mesmo, quanto mais nos outros.

O engraçado é que, a tecnologia, dizem, encurta as distâncias, mas também nos faz tomar abuso. Agora a pessoa está 24 ao nosso alcance, na palma da mão, é um oi aqui, um oi daqui pouco, outro oi logo em seguida, nem dá tempo sentir saudade, falta, talvez gera um desgaste.

Precisamos repetir, precisamos de um tempo, de uma certa solidão, de nos sentir carentes e sozinhos, distantes e abandonados.

Aprendi muitas coisas nessa vida, uma delas é que a gente muda, cresce, amadurece, e o que hoje pra nós é importante, amanhã poderá não ser.

Um dia a gente se apaixona por alguém, uma coisa linda, bonita, gostosa, que até parece eterno, mas os dias se passam e agente muda, se muda, e a outra pessoa continua fazendo a mesma coisa, a gente olha de lado e não se enxerga mais ali, não vê o que nos fez sentir o que antes sentíamos.

 É daí que surgem as dúvidas, e agora, o que fazer? Ficar ou ir? Mudar ou resistir? Calar ou falar?

Junto com as dúvidas surge a insegurança, mas e se isso for apenas uma fase, e se amanhã eu perceber que tomei a decisão errada? Ah, pessoas novas, sim, elas podem nos encantar, podem tantas coisas, mas também podem nos deixar com um dia deixamos alguém por elas, eis o medo ao qual somos acometidos, de nos arrepender, de sofrer, de não de saber voltar depois de escolhermos o caminho errado.

Nada dá mais medo e insegurança do que uma nova relação, uma nova paixão, a gente não sabe o que poderá nos acontecer. Acredito que esse seja um motivo para nos mantermos muitas vezes em relações fracassadas, as quais não temos mais ânimo para continuar, mas também não temos coragem para mudar, arriscar, tentar.

Não é fácil, não é simples, dói, nos atormenta. Uma amiga sofre de tais males, a sensação que tenho é que ela tem medo de viver ou se deixa prender e volta e meia ela se angustia.
As coisas pra ela acontecem de forma lenta, parecem confusas, aliás, ela é confusa, hoje ela está próxima, amanhã distante, prefiro sempre deixar ela lá, no lugar dela, não mexo muito com ela, ela é capaz de se mostrar apaixonada e ao mesmo tempo distante, indiferente e fria.

E ela sofre, ainda mais com a distância. Já tive relações distantes, sempre foi muito gostoso ir ao encontro de quem gostava, mas sei que há dias em que você quer a pessoa ali, próxima, perto e não pode, isso nos irrita e  faz relação sofrer um abalo, e faz a gente culpar o outro pela situação. Não sei se é a solução.

Uma namorada cansou da relação, pois não fazíamos o que os outros casais normais estavam a fazer. Aceitei, no momento não poderia, não sei se era a melhor coisas a fazer, mas não quis argumentar, cansei de tentar mostrar as pessoas aquilo que elas não querem ver, apenas lamento e sigo em frente.

Talvez tenha faltado paciência, ou pode ser que era realmente o que se poderia viver, o nosso fim, mas há também uma certa ansiedade em querer encontrar as pessoas, os sentimentos, de viver a vida, e confesso, chega um momento em que isso cansa, abusa, angustia e deprime.


A conclusão? Caminhar, pensar, deixar o tempo passar, aquilo que a gente não pode resolver, o tempo resolve. Pessoas vão e vem, só algumas irão continuar ao nosso lado, a insegurança um dia acaba, o medo passa, paixão são efêmeras, o amor é eterno, dizem, a distância se resolve, as dúvidas se dissipam, mas as escolhas erradas irão continuar ao nosso lado nos lembrando do nosso fracasso e das nossas decisões. 

Muitas vezes estamos separados por desejos, vontades, diferenças, precisamos cruzar a linha, alguém precisa fazer isso, renunciar, ou a gente cruza e se junta lá, ou alguém vem e se junta a nós.

Não precisamos de amores, precisamos de companhia, de pessoas que nos ajudem na caminhada, muitas trocar a monotonia da segurança pela insegurança da paixão pode ser algo bom e gostoso, a priore, mas com o tempo pode se mostrar uma escolha errada, mas também é verdade que só louco é quem tem pensamento fixo e não muda, mudar pode nos ajudar a seguir e viver. 

Toda mulher é infiel

Toda mulher é infiel

Ronaldo Magella 20/10/2015

Toda mulher é infiel. A afirmação por mais agressiva que seja é verdadeira e explica muita coisa.

Demorei pra entender como as mulheres pensam e só depois de muita reflexão descobri o motivo de elas agirem como agem, sempre pensando além delas, o que as torna infiéis.

Elas não pensam apenas em si, quando uma mulher vai se relacionar com alguém ela sempre pensará primeiro no seu gostar, mas depois ela irá pensar na mãe, no pai, na família, nas amigas, o que será que eles e elas vão pensar, dizer, será que vão gostar do carinha?

Talvez por isso as meninas demorem mais pra se entregar, elas irão investigar o terreno, sondar as opiniões, checar as possibilidades, para ir encaixando a situação, prevendo os acontecimentos, a recepção, o que poderá acontecer.

Muitas desistem logo, mesmo gostando do cara, sabe que há certas coisas que os pais não irão aceitar nem permitir, e vão logo descartando sem nem mesmo tentar.

Outras sabem do que irão enfrentar, mas sabem que com o tempo todo mundo vai aceitar e a vida seguirá com todo mundo feliz e já até abraçando aquele que antes queriam matar.

Mas o fato é que elas nunca estão sozinhas, sempre irão pensar nelas e além delas. Ah, meu pai não vai aceitar, minha mãe não vai gostar, minha família não permitirá, minhas amigas, é cedo demais, o que será que vão pensar de mim, bla bla bla.

Os homens são diferentes, nesse ponto eles podem ficar com quem bem entenderem e quiserem, não estarão preocupados se o pai gostará ou não, se a mãe irá aceitar, talvez por uma razão bem simples, são as meninas que levem seus namorados em casa, não os meninos, quando do começo da relação.

Quando os meninos chegam a levar uma menina em casa para os pais conhecerem já se vai um longo período de relação e talvez os pais do cara que talvez não quisesse agora já aceitam, cansaram e não se importam mais.

Logo, toda mulher é infiel, ela nunca estará se relacionando só com você, mas também com outras pessoas, isso é fácil de entender e perceber, ainda um pouco antigo, mas nem tudo muda com o tempo, algumas coisas permanecem.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Devagar e sempre, sem correr, só basta caminhar

Devagar e sempre, sem correr, basta caminhar e sentir

Ronaldo Magella 19/10/2015 – Jornalista, escritor, poeta, professor

Chegar de correr, agora prefiro caminhar. E sentir. 

Chega um momento que você cansar de correr, agora basta caminhar e seguir.

Já não é necessário ter sonhos, está bom viver a realidade e com ela seguir firme e sem medo.

Não importa mais os que se falta, mas o que se tem.

Cansei de buscar e esperar, agora descanso com o que tenho.

Sem a ânsia de encontrar, aprimoro o que já está perto e existe.

A vida se torna melhor e mais leve quando você não se cobra ou cobra dos outros.

Esqueço as ausências e faltas, admiro as possibilidades e as certezas.

Reduzir a velocidade é perceber o que está ao redor, no caminho.

A velocidade é sempre pra se chegar, nunca para se contemplar.

Agora já paro e penso, admiro e sorrio, sigo, lento, devagar, mas sem medo de cair.

Olha pra frente quem não tem interesse ao que está do lado.

Olha para trás quem não se importa com o que vem pela frente.

Aprendi a percorrer o círculo, me permito dá voltas e achar o que está ao alcance das mãos, dos olhos.

Nem a falta, nem a ausência, mas o presente, o que há, é possível e se pode viver.


Assim aprendi a amar. E amo. 

Só gente chata acredita em amor e felicidade

Só gente chata acredita em amor e felicidade

Ronaldo Magella 18/10/2015

Só gente feia diz que beleza não importa.

Só gente sem grana diz que dinheiro não traz felicidade.

Gente chatinha acredita em amor e felicidade.

Tenho uma amiga, 45 anos, que ainda acredita que o mundo é uma fábula e que o fato dela postar coisas bacanas no Facebook, tipo esses banners de pensamento positivo, fará com que alguém se interesse por ela, por ela não ser superficial, rasa e igual aos outros.

Sério?

Aliás, tem gente que se acha bacana, interessante e incrível por postar nas redes sociais banners cools, são essas pessoas que se acham descoladas, e que por assistir séries na internet se acham cultas.  

Tédio pra elas.

Minha amiga é um doce, mas acho que ela passou do ponto e azedou.

Só gente chata acha que o mundo, leia-se pessoas, se interessa por pessoas boas e meigas, simpáticas, gente boazinha que não sente as dores do mundo.

 Coisas mais brega.

Minha amiga acha que o amor lhe chegará pela porta da frente sem que ela tenha que ir pra um bar, pedir uma cerveja, esbanjar sensualidade e ainda arriscar um lance de pernas.

Lamento.

Ela acha que algum homem irá se interessar por seus valores morais e irá se apaixonar por sua alma devotada e santa, por seus princípios.

Chega a dar sono esse papo.

Mas como dizem as meninas, a gente só gosta mesmo é de gente ruim e que nos provoque falta e um pouco de ressentimentos.

Minha amiga me disse que prefere ser amada e que não que ser desejada por nenhum homem.

Não sei como ela consegue viver nesse mundo, até tento explicar a ela, que o amor só vem depois do desejo, primeiro a gente olha, depois a gente prova, e se prestar, e acabar gostando, talvez a gente até leve pra casar, para jogar fora quando não quiser mais, abusar ou encontrar algo melhor.

Como gostaria que ela entendesse isso.

Nada mais chato do que alguém preso em seus próprios pensamentos, pensando que o mundo irá sentir pena de si e se comover com a sua solidão.

O mundo é um lugar inóspito e escuro para quem prefere viver de fantasia e ilusão.

Espero que ela acorde, ainda dá tempo.



domingo, 18 de outubro de 2015

No fundo ela não quer saber a verdade

No fundo ela não quer saber a verdade

Ronaldo Magella 18/10/2015

Dizer a verdade é atestar o fim.

A dúvida permite a continuação.

A minha primeira namorada perdi por dizer a verdade, me dizia sincero, como era idiota.

No fundo ela não quer ouvir a verdade.

Ela quer sempre desconfiar, é uma forma de acreditar em você e te ofertar sempre uma nova chance.

A verdade não permite mais chances, é a conclusão para o fim.

Se não se sabe, não se pode tomar uma decisão, a busca continua.

Não estou dizendo para mentir, apenas para não dizer a verdade.

O silêncio deixa dúvidas.

Omissão provoca insegurança.

Dúvidas causam medo.

É dizer a verdade e perder a confiança, a segurança, acabar com a paz.

No fundo você sempre fará um pacto pela sinceridade e pela honestidade.

Ninguém suporta a verdade.

Ela sabe que está gorda, mas você dirá que a ama mesmo assim.

Ela sabe que você está distante, mas você dirá que está com problemas e que não é ela, mas você.

Ela sabe que você não gosta dela, mas você dirá que ela que é insegura.

Ela sabe que você tem outra, mas você dirá que está confuso e precisa de um tempo.

Ela sabe que a outra é mais bonita, mas você dirá que a prefere.

Ela perguntará pela outra, e você dirá que é chata e burra.

A verdade pode nos tornar infelizes. 

Falar a verdade é permitir a razão dela, comprovar a lógica de tudo.

A gente precisa de esperança, a verdade encerra tudo.

A verdade magoa.
Fere.
Mata.
Arrasa.
Destrói.
Aniquila.
Corta.
Acaba.

A esperança é sempre uma ilusão e toda ilusão é uma mentira.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Só um idiota acha que poderá fazer uma mulher feliz, os canalhas sabem que é infelicidade que provoca o desejo

Só um idiota acha que poderá fazer uma mulher feliz, os canalhas sabem que é infelicidade que provoca o desejo

Ronaldo Magella 16/10/2015 – jornalista, escritor, poeta, idiota.

Não há nada mais entediante para uma mulher do que um cara inseguro que pergunta se ela o ama, é de brochar, mas ela abre a boca, bocejando, e diz, sim, meu amor, vamos dormir.

Estou cansado de ouvir as meninas dizerem que só há molengas no mercado.

O medo é outra doença do mundo contemporâneo, mas se faz vista grossa, pois se sabe que não existe tratamento para esse mal crônico da modernidade, principalmente quando se fala em relações. Leia-se sexo.

São as meninas que ensinam aos meninos o que eles devem fazer, deve ser maçante.

Há uma certa hipocrisia no ar, ninguém gosta de falar de sexo, mas um dos livros e filmes mais visto recentemente foi 50 tons de cinza.

Falamos em liberdade, redes sociais, vozes, expressão, mas somos reprimidos, nossos desejos são sufocados.

Cada vez mais vivemos uma sociedade inócua.

Não se pode mais chamar uma mulher de gostosa, é machismo, mas toda mulher que não se sente desejada sofre de depressão e se acha a mais infeliz do mundo, gorda, feia e chata.

Os modos politicamente corretos podem levar a solidão eterna. Acho, mas só acho.

Os canalhas vivem cheios de mulheres, posso provar isso, os educados, tímidos, covardes e moles conseguem apenas uma namorada para a vida toda, talvez tenha nascido daí esse discurso, sem pé nem cabeça de amor eterno e almas gêmeas, conversa, é coisa de gente insegura e medrosa que tem medo de arriscar.

E o desejo nasce do medo.

Todo homem delicado é um inútil a acaba sozinho. Sou prova disso.

Como elas dizem, querem pegada e atitude, isso que não quer dizer que se precise ser um idiota e ridículo. Eles querem ser olhadas.

Toda mulher que se sente desejada mexe o cabelo e se ajeita na cadeira, ou na cadeira mesmo, ajeita o óculos, se o tiver, apruma o cabelo, e se sente melhor.

Toda mulher gosta de ser desejada, invejada, cobiçada, possuída, arrebatada. E só os canalhas conseguem entender isso.

Não há nada mais chato e deprimente do que um homem que dá tudo a mulher.

Só um idiota acha que poderá fazer uma mulher feliz. É a maior utopia social da história humana.

E os canalhas sabem disso. E vencem pela falta que provocam. Entenderam?

Só os canalhas sabem que é a infelicidade que provoca o desejo e faz o mundo avançar e seguir.

A minha teoria dos canalhas é que eles nascem sem medo, são eles quem melhor entenderam o desejo das mulheres.

Os sentimentais param quando ouve um não de uma mulher, os canalhas são surdos para as negativas femininas.

            E é isso que elas querem, alguém sem medo de ir em frente. Preciso explicar?

E isso explica o fato de você se perguntar por quais razões é tão bonzinho, ótimo partido, educado, gentil, meigo, sincero (sic), atencioso e não conseguir ninguém.

E precisa explicar mais alguma coisa?

Todo amante é um canalha, ele faz o que o maridão, já gordo e preguiçoso, não faz mais.

Ele deseja, baba, corteja, mente, ilude, fantasia, promete, desperta.

Aliás, mulher só trai quando não se sente mais desejada e percebe que está sendo trocada pelos amigos, pelo futebol da semana e pela cerveja.

Aí já era. Mulher só trai quando o jogo fica empatado.

Como diz Nelson Rodrigues, o mundo ficaria melhor se os homens de bem tivessem a ousadia dos canalhas.

Essa frase deveria ser publicada nos livros didáticos, em todos eles, melhor do que o hino nacional.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Possuída

Possuída

Ronaldo Magella 15/10/2015


Enquanto ele avançava, sem medo, ela se sentia cada vez mais desejada, pedia pra parar, mas no fundo sonhava em ser invadida e tomada. Parada. Esperando.  Por favor, pare, não faça isso, sufocada pelos beijos quentes e ardentes que ele imprimia em ritmo oscilante, entre lento, ligeiro e selvagem, ela apenas se deixava, dizia não, e queria sim. Não posso, ela repetia, pare, e sorria no quanto da boca com a vontade já escorrendo por todos os lugares. Pensava, amava aquela falta de educação, queria apenas ser dele, toda, completa, inteira, nua, sem culpa, vergonha, medo, sem dimensões, freio. Pare, por favor, insistia. Continue, desejava. Preciso ir, vamos parar, chega, e o beijava ainda mais, de forma gostosa, tomada pela vontade, pelo desejo, tomada de calor, dor, alívio, safistação. A cada gesto, a certeza, em todo toque, um motivo para ficar, os cheiros que se misturavam, os corpos suando, suados, as pernas entrelaçadas, mãos cruzadas, olhos fechados, tudo se encaixando, perfeitamente, magia, mágica, magicamente, simetricamente, delicadamente. Ele rasgava suas ruas roupas e também as suas certezas, tirava suas peças e também sua insegurança, amava com fúria e paixão, com delicadeza e carinho, costurava o momento alinhavando os pontos, soltando as amarras, prendia as partes, apertava o todo, acariciava, como a colher fruta madura, a tocava e não se furtava do prazer, dava o melhor, o que tinha. Ela sorria intimamente, queria o que não revelava, sonhava aquilo que antes corava, tinha agora certeza de ser possuída escancaradamente, escandalosamente, deliciosamente, despudoradamente, maliciosamente, perfeitamente. Sem vergonha, mal educado, grosso, selvagem, idiota, sem pudor, canalha, era isso, sentir em si, o consumo do desejo, a fartura do prazer, ser amada sem limites, sem regras, politicamente incorreto. Queria apenas ser corrompida pelo desejo, destroçada de prazer, cansar de amor, sofrer de tesão, sentir até a exaustão, morrer do próprio veneno, criar e cometer o seu próprio pecado, perder e perder a si para se encontrar agora deitada, pensando, isso é vida. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A indiferença dói mais do que todas as razões

A indiferença dói mais do que todas as razões

Ronaldo Magella – jornalista, professor, poeta, radialista, blogueiro, conversador, tomador de café, romântico, sensível, idiota, inocente, esperançoso, solitário, pensante, errante... 14/10/2015

Sempre que terminam comigo aceito todos os motivos e sofro calado. 

Apenas digo, você tem razão, estou errado, desculpe. Seja feliz.

 E vou embora.

Não brigo, não dou esse motivo, não insulto, não permito essas razões.

No fundo ela quer todas as razões e motivos para justificar dentro dela a decisão tomada.

Argumento o meu gostar, coisa pouca, ali no calor do momento, mas depois me calo.

O silêncio é angustiante. A indiferença dói. É o que oferto depois do fim.

A indiferença dói mais do que todos os motivos, razões, respostas, é um suicídio, fica apenas o ato e o maior silêncio do universo, só perguntas, e os por quês. 

Se não pode lutar por quem já não te aceita, te quer, te gosta.

Só resta aceitar, calar e seguir. Abraço.

Não adianta chorar por quem já espera sorrir, só que agora em outros braços, de outros sorrisos, em outro alguém.

Não adianta argumentar e responder a quem não tem mais desejo e vontade de te entender.

Não luto, não me defendo, não me promovo, não insisto, desisto.

Mas desistir também é insistir, só que agora em outro caminhar.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Marido cerveja, futebol e sofá não pode culpar a mulher se for traído, mas a si mesmo apenas

Marido cerveja, futebol e sofá não pode culpar a mulher se for traído, mas a si mesmo apenas

Ronaldo Magella

Isabel Allende conta a história de uma mulher que deixou o marido, os filhos, a família por um encanador, e claro, ninguém entendeu tal deserção. Até ela explicar. 

Dois anos mais tarde Allende a encontra, completamente diferente, magra, sem maquiagem, mas feliz, e então, ela  lhe diz o motivo de tudo, ele é muito engraçado, tem amigos ótimos, dança, canta e fazemos loucuras na intimidade, pronto, estava explicado.

Ela queria uma vida, não importava que se era com um empresário com um encanador, ela queria saber que ainda poderia viver, que poderia ser feliz, se mostrar, mostrar a si mesma que ainda podia sonhar, viver ilusões, rir de tudo, provocar arrepios, corar de vergonha só pra depois dizer, ah, besteira, acontece, vamos lá, isso é viver, é sentir e sentir-se.

O amor não suporta burocracias, o amor não suporta datas e calendários, rotinas e prazos, o amor não gosta da mesmice, da indiferença, de uma hora após a outra, o amor quer espanto, deseja barulho, gosta de histórias e lembranças, saudades e gargalhadas, ele precisa de espaço, espaço na vida do outro, espaço pra si mesmo, espaço para ir crescendo e se fincando.

Já vi muita mulher reclamar do marido, e até mesmo abandonar o casamento por conta a inércia do parceiro.

Não quer sair, mudar de roupa, viajar, mudar o visual, não quer mais viver, acha que pronto, já era, não precisa mais de nada, cervejinha, futebol, descanso no domingo, ótimo, estou feliz, sexo esporádico, e só, estou bem, não se preocupa a parceira, companheira, mulher.

Tenha 15 ou 80 anos toda mulher quer se sentir viva, quer ser mulher acima de tudo, quer viver emoções, sentir sensações, ter prazer pela vida, quer ser bonita, quer ir, sair, conversar, passear, sair da rotina, fugir do comum, não precisa de muito, mas precisa de alguma coisa, precisa que algo aconteça, precisa saber que ainda pode se sentir viva e o companheiro pode proporcionar isso, deve, precisa, pode, é uma obrigação.

Não é difícil amar uma mulher, flores pela casa, canção no rádio, convite pra dançar, lembrança do aniversário, improvisar de vez em quando, seduzir, romancear a relação, coisas juntas, viagens, o mundo por conhecer, reunir os amigos, fazer um jantar, ir a um show, comprar uma roupa, olhar as estrelas, sentar na calçada, coisas e opções que podemos ter, viver, fazer, seguir, um roteiro.


O amor quer um caminho, o caminho da felicidade, precisa de truques, de gás, de combustível para se sentir, precisa de luz, de panos, de incentivo, de paixão, de sentimento, de afeto, não é difícil, nem complicado, é apenas não deixar a sua companheira sozinha nela mesma, seja como o termo diz, uma companhia, esteja perto, vivam momentos, aproveitem o momento, se permitam, se deixem viver.