sábado, 5 de outubro de 2013

Não dá pra ser o mesmo

Não dá pra ser o mesmo

Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada


Sofro de uma coisa chamada mudança, não dá pra ser sempre o mesmo, até admiro quem é sempre o mesmo, quem sempre faz as mesmas coisas, discute os mesmos temas, tem as mesmas conversas, mas isso não é pra mim, sofro da síndrome de mudança, de encontrar o novo, de buscar o melhor, de me querer fascinar pela vida sempre, pelo mundo, pelas pessoas, de querer amar, amar por gostar, por achar bom, e sofro, sofro de querer saber um pouco mais, de querer provar o que ainda não sei o sabor, sofro dessa vontade de olhar além, caminhar um pouco adiante, sair do lugar, de ir adiante, por isso penso, invento, crio, escrevo, transformo, mudo, vivo, tento, choro e rio, experimento, amo e amando morro de amor, choro de paixão, sorrio de alegria, tento afastar o medo, e tenho muitos,  tenho medo de acordar amanhã do mesmo jeito, tenho medo de não fazer coisas diferentes, tenho medo de não aprender, de não mudar, tenho medo de não me encantar com o mundo, de perder a esperança, de não tentar fazer acontecer, de não buscar, tenho medo de deixar de sorrir, sim, agora tenho medo, de não poder mais abraçar, sim, agora tenho medo, medo de não mais amar, de não mais poder falar, medo, mas um medo que não me poda, não me paralisa, não me trava, meu medo me impulsiona a continuar, a ler, aprender, me renovar, ser sempre outro, mudar, deixar de ser quem sou e passar a ser outro, melhor, bem melhor,  como cantou Renato Russo, “quero ser prudente e sempre ser correto, quero ser constante e tentar sempre ser sincero”, mas não nasci pra ser o mesmo, quero a calma de um dia que amanhece após uma noite de chuva, quero ser correto como quem sorri por vontade, quero ser constante aos meus sonhos e ideias, à fé que acredito à esperança que alimento, e quero sempre ser sincero comigo mesmo, aos outros pouco importa a minha verdade, como disse Fabrício Carpinejar, ser fiel é fácil, difícil é ser leal, e lealdade é confiar, confiar que mudando pode-se ser melhor, aprendi que melhor ainda posso ser, hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje, foi uma decisão, decidi, tive a coragem e audácia e me dizer, falar a mim mesmo que sim, é possível ser melhor estar melhor, isso pelo menos aprendi, aprendi que posso abraçar, sorrir, falar, olhar que posso viver e vivendo tudo pode e vai acontecer, é assim, para viver a vida precisamos estar para que tudo seja e se torne real, apenas isso. 

Um comentário:

  1. A síndrome de mudança é um doença tão boa!!!! :)
    Um abraço

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