sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Por que nos expomos tanto nas Redes Sociais?

Por que nos expomos tanto nas Redes Sociais?
Ronaldo Magella – professor, poeta, escritor, blogueiro, radialista, jornalista e mais nada

A resposta a essa questão é simples e complexa. Vamos primeiro a parte simples.

 Primeiro que nunca foi tão simples e fácil registrar a nossa vida, celulares, câmeras digitais, formas, objetos e meios que nos permitem gravar e registrar tudo o que vivemos, e hoje de forma acessível e barata para todos, todo mundo hoje em dia, até uma criança de cinco anos de idade, tem um celular com vários aplicativos que a permitir realizar tudo aquilo que um adulto faz.

Segundo, por conta das redes sociais, se no passado nossas fotos ficavam arquivadas num álbum, guardado numa gaveta e que só era mostrado quando alguém nos visitava, agora com as redes sociais, Instagram, Facebook, entre outras, ninguém precisa mais nos visitar, de casa mesmo as pessoas acessam a nossa vida, tomam conhecimento do que fazemos, claro, daquilo que permitimos, e estamos permitindo muita coisa.
Agora a parte complexa.

Compramos e aceitamos o discurso da modernidade, da vida moderna que diz que precisamos nos mostrar, tornamos a nossa vida íntima e privada um palco, uma novela, um reality show, quando somos atores e plateia ao mesmo tempo, assistimos e contracenamos com o mundo, ora somos vistos e outra nos mostramos, só não nos perguntamos qual a real necessidade de tudo isso, por qual motivo o mundo precisa saber de nós, o fato é que fazemos.

Como disse uma amiga, o Facebook é a coluna social da classe média. É a sociedade do espetáculo, o mundo todo parece uma grande tela de televisão, a nossa vida passa 24 horas na frente de um computador.
E agora a parte muito mais complexa.

Um amigo me contou que, começou a conversar com uma menina pelo Facebook, conversa boa, talvez rendesse um fica, quem sabe até um namoro, e ao que tudo indicava, caminhava para isso, mas quando começaram o entendimento, quando tudo estava mais ou menos resolvido, faltava apenas a vida real acontecer, a menina disparou – a gente pode mudar o status de relacionamento do Facebook? – Hein, como assim? Perguntou meu amigo, e a menina responde – ué, mudar o status, posso mudar, dizer que estou namorando? – Calma, disse ele, vamos ficar, nos conhecer, isso não tem pressa, se acontecer a gente muda.

A necessidade de aparecer, aparentar, se mostrar, gritar ao mundo o que estamos a fazer hoje em dia é maior do que a de viver, as pessoas estão com pressa de se mostrarem umas para as outras,  querem ser comentadas, curtidas, compartilhadas antes mesmo de sentirem o sabor da vida, fruto de uma época vaidosa essa que estamos vivendo, de um narcisismo doentio que diz que precisamos primeiro sermos admirados por tudos e por todos, e depois, depois da aprovação de todos, só aí então, descansar.

Minha preocupação não é com o presente, o agora já está acontecendo, minha preocupação é com o futuro, quais as consequências, como iremos nos sentir e nos perceber daqui a alguns anos, para onde tudo isso irá nos levar, quais os benefícios e quais dores que teremos de verter, o fato é que, um bem claro, estamos perdendo muito tempo, mas isso é tema para um novo outro texto, até lá.


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